MP pede prisão preventiva de deputado Lucas Bove por descumprir medidas protetivas contra Cíntia Chagas

Promotoria acusa parlamentar de desrespeitar decisões judiciais e ampliar ataques virtuais contra a ex-mulher

- Imagem: Bruna Sampaio/Alesp e Redes Sociais

Lívia Gennari Publicado em 24/10/2025, às 09h00 - Atualizado às 13h44

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou na última quinta-feira (23) o deputado estadual Lucas Diez Bove (PL) por perseguição, violência física, violência psicológica e ameaça contra a influenciadora digital Cíntia Chagas, sua ex-esposa. A promotoria também pediu à Justiça a prisão preventiva do parlamentar, alegando que ele descumpriu de forma repetida medidas protetivas impostas para resguardar a vítima.

De acordo com o MP, o deputado ignorou decisões judiciais por cerca de um ano, mesmo após ser intimado e advertido pessoalmente e por meio de seus advogados. O órgão afirma que Bove demonstra “claro desprezo” pelas restrições impostas e age com a convicção de que não sofrerá consequências legais.

A denúncia ainda sustenta que a simples manutenção das medidas protetivas já não é suficiente para garantir a segurança de Cíntia. Segundo a promotoria, o parlamentar intensificou a exposição da vítima nas redes sociais, passando de publicações indiretas a postagens explícitas com o nome da influenciadora e menções ao processo, o que violaria decisões judiciais.

Conforme o documento, as postagens, sugeriam que Cíntia mentia e continham conteúdos ofensivos à sua dignidade, provocando desgaste emocional e revitimização, alegando que a mulher vinha sendo "sistematicamente exposta e ridicularizada perante a mídia e a opinião pública”, pontuou o MP.

Origem das denúncias

Cíntia Chagas, que soma mais de 7 milhões de seguidores, denunciou o deputado no ano passado por abusos físicos e psicológicos ocorridos durante o relacionamento de mais de dois anos. Em 2024, a Justiça concedeu medidas protetivas e instaurou um inquérito policial.

Em 29 de setembro, a Polícia Civil de São Paulo concluiu a investigação e indiciou Bove pelos crimes de perseguição e violência psicológica. O relatório de 60 páginas reuniu provas de ameaças, chantagens e tentativas de controle sobre a carreira profissional da influenciadora.

Apesar disso, enquanto o caso criminal seguia na Justiça, a Alesp resolveu arquivar o processo disciplinar, o que significa que nenhuma punição política (como suspensão ou cassação do mandato) foi aplicada a Bove naquele momento.

Agora, com a denúncia formal, o Ministério Público entende que medidas alternativas não bastam e pede a prisão preventiva do deputado, destacando o “alto grau de reprovabilidade” das condutas atribuídas a ele.

O que dizem as defesas

Em nota, a defesa de Lucas Bove afirmou que as acusações são “fatos mentirosos” e que a influenciadora estaria tentando “se favorecer e tirar proveito de suas falácias”.

Já a advogada de Cíntia Chagas, Gabriela Manssur, ex-promotora de Justiça, classificou a denúncia do MP como um passo importante na luta das mulheres por justiça.

“A denúncia representa um marco importante para as mulheres na busca pela verdade, pela responsabilização e pela dignidade da vítima. A mensagem é clara: ninguém está acima da lei”, afirmou.

Em pronunciamento nas redes sociais, Lucas Bove disse estar tranquilo diante das acusações:

“Estou em paz, pois, além de ter a consciência limpa, confio na Justiça e tenho fé de que a juíza será justa ao analisar tanto o pedido de prisão quanto a única narrativa que permaneceu de pé — violência psicológica”, declarou o deputado.

Cíntia também se manifestou sobre o caso:

“Recebo a decisão com serenidade e inabalável confiança na Justiça. Trata-se de um homem público, e é moralmente inaceitável que agressores de mulheres permaneçam investidos em funções de poder. A violência contra a mulher é crime e afronta à dignidade humana. Que a verdade prevaleça.”

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