Mobilidade urbana

MP investiga ampliação do metrô 24h em São Paulo e pressiona operadoras por dados técnicos

Promotoria quer saber se é possível manter funcionamento ininterrupto de sábado para domingo; redução do horário após a pandemia é alvo de questionamento

O Ministério Público abriu investigação para avaliar se é possível ampliar o horário de funcionamento do sistema durante as madrugadas. - Imagem: Divulgação/Metrô/GESP

Redação Publicado em 11/02/2026, às 11h20

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O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito civil para apurar se é possível ampliar o horário de funcionamento do metrô e dos trens metropolitanos na capital, especialmente nas madrugadas de sábado para domingo. A investigação foi formalizada em janeiro deste ano, após representação da deputada federal Erika Hilton, que questiona a redução do horário adotada após a pandemia.

A apuração está sob responsabilidade do promotor Moacir Tonani Júnior, da 6ª Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo. O foco é entender se o sistema pode operar de forma ininterrupta aos fins de semana e quais seriam os impactos técnicos e operacionais dessa mudança.

O que está em debate
Antes da pandemia, o transporte sobre trilhos encerrava a operação à 1h do domingo. Atualmente, o funcionamento vai até 0h.

Segundo a representação que motivou o inquérito, a redução prejudica passageiros que dependem do transporte público na madrugada — principalmente trabalhadores de bares, restaurantes, eventos culturais e turismo, além de frequentadores da vida noturna paulistana.

Operadoras alegam “madrugada técnica”
Foram oficiados o Metrô de São Paulo, a CPTM, a ViaQuatro e a ViaMobilidade.

As empresas afirmam que a ampliação permanente do horário não seria viável por questões técnicas. Segundo elas, a chamada “madrugada técnica” é essencial para manutenção de vias, sistemas de sinalização, energia, telecomunicações, estações e trens, além de testes e obras de modernização.

Também argumentam que o sistema não foi projetado para funcionar 24 horas por dia de forma contínua e que operações estendidas só ocorrem em eventos específicos, com planejamento adicional.

Testes já estão em andamento
Desde dezembro, as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata operam em caráter experimental de sábado para domingo.

Durante o carnaval, o sistema também funcionará de forma ininterrupta entre sexta-feira (13) e segunda-feira (16), com ônibus gratuitos partindo das estações Tietê e Barra Funda até o Sambódromo do Anhembi.

O Ministério Público solicitou dados sobre os testes realizados: número de passageiros transportados, frota utilizada e eventuais prejuízos operacionais. Também quer saber se a CPTM e as concessionárias privadas pretendem adotar iniciativas semelhantes, já que o sistema é integrado.

Até a última atualização, não havia confirmação se o horário estendido continuará após fevereiro.

O que está em jogo
A discussão vai além da mobilidade.

Ela envolve:

-Direito ao transporte noturno
-Impacto econômico na vida noturna da capital
-Custos operacionais e manutenção do sistema
-Planejamento estrutural da malha metroferroviária
-Se o MP entender que há viabilidade técnica e interesse público, a pressão sobre o governo estadual pode aumentar.

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