INVESTIMENTO

Ministro Flávio Dino autoriza empenho de R$ 370 milhões em emendas para saúde

Ememdas de comissão permitem aos deputados e senadores direcionar recursos orçamentários para áreas específicas

Flávio Dino - Imagem: Reprodução /Gustavo Moreno/STF

Alanis Ribeiro Publicado em 31/12/2024, às 19h39

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), atendeu parcialmente aos requerimentos da Advocacia-Geral da União (AGU) e autorizou o empenho das emendas de comissão (RP8) destinadas ao setor da saúde, em uma decisão anunciada nesta terça-feira (31). A AGU argumentou a necessidade urgente da liberação de, pelo menos, R$ 370 milhões para que o governo federal atenda ao piso constitucional estabelecido para a área.

Com o objetivo de assegurar o cumprimento mínimo na saúde, o ministro Dino permitiu a validação excepcional dos empenhos realizados até o dia 23 de dezembro em emendas de comissão, formalizados em ofícios enviados pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Essa solicitação já havia sido apresentada pela AGU na noite anterior, quando Flávio Dino determinou que a entidade comprovasse a urgência dos R$ 370 milhões em emendas de comissão necessárias para manter o piso constitucional da saúde.

Apesar da autorização para o pagamento das emendas, o ministro estabeleceu que a identificação dos recursos deverá ser validada pelas comissões temáticas de saúde do Senado e da Câmara até 31 de março de 2025. Caso contrário, as emendas serão automaticamente canceladas.

No documento apresentado nesta terça-feira (31), a AGU anexou documentos comprobatórios que evidenciam a necessidade de novos empenhos financeiros e reiterou solicitações previamente feitas na petição apresentada no dia 30 de dezembro de 2024.

A Advocacia-Geral destacou que, conforme estabelece o artigo 198 da Constituição Federal, a aplicação mínima em saúde deve ser equivalente a 15% da Receita Corrente Líquida (RCL), projetada em R$ 1,436 bilhões para 2024. Dessa forma, o piso orçamentário para a saúde neste ano é calculado em R$ 215,5 bilhões.

Até o momento, as despesas empenhadas para ações e serviços públicos de saúde somam R$ 215,9 bilhões. Contudo, considerando a necessidade de reposição dos restos a pagar cancelados em exercícios anteriores — conforme determinado pelo artigo 24 da Lei Complementar nº 141/2012 — será necessário descontar R$ 2,5 bilhões desse total.

Diante disso, restam R$ 2,1 bilhões ainda disponíveis para empenho. Entretanto, levando em consideração as incertezas relacionadas à execução fiscal e a possibilidade de que parte desse montante não seja efetivamente desembolsado, torna-se imprescindível garantir novos empenhos financeiros.

A AGU reiterou que, se a decisão de cancelar os valores empenhados até 23/12 nas emendas de comissão for mantida, será impossível alcançar a aplicação mínima exigida em saúde. "Diante desse cenário, fica evidente que é necessário o empenho de novos recursos no valor mínimo de R$ 370 milhões relacionados às emendas comprometidas até essa data para cumprir com o piso constitucional", afirma a AGU.

Esse pedido surge em meio a um impasse sobre o pagamento das emendas já autorizadas, que estavam suspensas após uma decisão do ministro visando maior transparência nos processos orçamentários.

Em resposta às incertezas sobre a execução orçamentária, a AGU havia orientado anteriormente o governo federal a suspender pagamentos que totalizavam R$ 4,2 bilhões, até que todos os aspectos fossem devidamente esclarecidos. Essa orientação ocorreu mesmo após Dino liberar os pagamentos no dia 29/12. Posteriormente, houve uma reversão dessa posição.

Na sua decisão mais recente, Flávio Dino enfatizou que a execução das emendas está condicionada à comprovação objetiva da imprescindibilidade dos recursos para garantir o piso constitucional na saúde.

As emendas de comissão representam instrumentos legislativos que permitem aos deputados e senadores direcionar recursos orçamentários para áreas específicas por meio de acordos nas comissões permanentes.

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