Com previsão de 75 meses para conclusão, a Linha 19-Celeste facilitará o transporte de 630 mil passageiros
Gabriela Thier Publicado em 22/09/2025, às 18h13
Nesta segunda-feira (22), o Metrô de São Paulo deu início à sessão inaugural da licitação destinada à escolha da empresa que será encarregada do primeiro lote das obras civis da nova Linha 19-Celeste. Este projeto ambicioso tem como objetivo estabelecer uma conexão direta entre o Centro da capital paulista e o município de Guarulhos.
Com um investimento previsto de R$19,5 bilhões, o projeto será segmentado em três lotes distintos, conforme descrito no edital oficial. O governo do estado planeja a contratação de três empresas distintas para realizarem as obras simultaneamente, visando acelerar o progresso da construção.
O cronograma estipulado prevê que a conclusão das obras ocorra em um período de 75 meses, ou seja, 6 anos e 2 meses após a formalização dos contratos. As atividades de construção estão programadas para começar em 2027 e serem finalizadas em 2033.
Após a entrega da infraestrutura, a operação da linha ficará sob responsabilidade da iniciativa privada.
A primeira sessão abrange o Lote 01, que compreende cinco estações: Bosque Maia, Guarulhos-Centro, Vila Augusta, Dutra e Itapegica. O vencedor dessa concorrência terá a incumbência de adquirir um dos três tatuzões que serão utilizados na escavação dos túneis, uma tecnologia crucial para transpor áreas densamente povoadas e atravessar rios como Tietê, Tamanduateí e Cabuçu de Cima.
Com a abertura das propostas, o Metrô realizará uma análise minuciosa das ofertas financeiras e técnicas apresentadas para determinar os vencedores do certame. Uma vez concluído esse processo, os vencedores poderão ser homologados e os contratos assinados, permitindo assim o início dos projetos executivos seguidos das obras.
A construção da Linha 19-Celeste será dividida em três lotes com leilões agendados para os dias 22, 23 e 24 de setembro:
A nova linha terá uma extensão total de 17,6 km e contará com 15 estações, com previsão para atender cerca de 630 mil passageiros diariamente, segundo dados oficiais do governo paulista. Além das estações, o contrato contempla a construção de 18 poços de ventilação e saídas de emergência (VSE), além da readequação das estações existentes São Bento (Linha 1-Azul) e Anhangabaú (Linha 3-Vermelha), que serão interligadas à nova linha.
Sistemas auxiliares como escadas rolantes, elevadores, ventilação adequada, iluminação eficiente, detecção de incêndios e painéis elétricos também estarão inclusos nas especificações do projeto.
A licitação anunciada nesta segunda-feira inclui tanto a elaboração do projeto executivo quanto a execução das obras civis.
A Linha 19-Celeste se destacará por ser a primeira ligação direta entre Guarulhos – o segundo município mais populoso do estado – e o Centro de São Paulo. A operação será definida pelo governo estadual futuramente e contará com uma frota composta por 31 trens. A expectativa é que a viagem entre as duas regiões seja reduzida em até uma hora, facilitando integrações com as linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha do Metrô, além de potenciais conexões com linhas ferroviárias.
As estações projetadas incluem: Bosque Maia, Guarulhos-Centro, Vila Augusta, Dutra, Itapegica, Jardim Julieta, Vila Sabrina, Cerejeiras, Santo Eduardo, Vila Maria, Catumbi, Silva Teles, Cerealista, São Bento e Anhangabaú.
Caso não ocorram decisões judiciais imprevistas que impeçam o andamento do processo licitatório, espera-se uma forte concorrência entre consórcios nacionais e internacionais. Embora algumas construtoras tenham tentado contestar a licitação e modificar o edital original, essas tentativas foram indeferidas pelo Metrô.
De acordo com informações fornecidas pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), as obras envolverão um total estimado de mais de 5,7 milhões de m³ em escavações; utilização de aproximadamente 1,37 milhão de m³ de concreto; mais de 187 mil toneladas de aço; e cerca de 610 mil m³ de calda de cimento. Serão adotados métodos modernos como tuneladoras (tatuzões), NATM (método austríaco) e valas abertas em áreas críticas como as estações Cerealista, São Bento e Anhangabaú.