Manifestantes protestam em frente ao Banco Master e pedem afastamento de Dias Toffoli da investigação

Ato ocorreu no Itaim Bibi e foi acompanhado pela Polícia Militar; grupo cobra mais transparência no caso que envolve a instituição financeira

Manifestantes exibem cartazes durante protesto em São Paulo - Imagem: Bruno Santos | Folhapress

Lívia Gennari Publicado em 22/01/2026, às 19h29 - Atualizado às 20h10

Um grupo de manifestantes realizou, no início da noite desta quinta-feira (22), um protesto em frente ao edifício que abriga a sede do Banco Master, no Itaim Bibi, Zona Oeste de São Paulo. A mobilização foi convocada pelo Movimento Brasil Livre (MBL) e reuniu pessoas que pedem mudanças na condução das investigações que envolvem a instituição financeira.

O prédio estava isolado por tapumes, instalados desde quarta-feira (21), o que impediu a aproximação dos manifestantes da entrada principal. Ainda assim, o grupo utilizou as barreiras para expor cartazes, fotografias e faixas com críticas aos investigados. Entre as mensagens exibidas durante o ato, uma delas pedia a saída do empresário Daniel Vorcaro do controle do banco.

Imagem: Amanda Perobelli | REUTERS

A Polícia Militar acompanhou a manifestação, que transcorreu sem confrontos ou registros de ocorrência.

Além das críticas ao Banco Master, os organizadores também direcionaram o protesto ao Supremo Tribunal Federal (STF). O grupo cobra o afastamento do ministro Dias Toffoli da análise do caso e defende maior transparência no andamento do processo, que tramita sob sigilo.

Entenda o que está em apuração

O Banco Master entrou no radar das autoridades após adotar uma estratégia de captação que destoava do padrão do mercado, ao divulgar investimentos com rentabilidade muito superior à média. A política comercial da instituição despertou questionamentos sobre a sustentabilidade das operações e levou órgãos reguladores a aprofundarem a análise sobre o banco.

O empresário Daniel Vorcaro, que controla o Banco Master, é alvo das investigações que apuram possíveis irregularidades na estrutura de créditos e nos ativos apresentados pela instituição. As desconfianças se intensificaram no processo de negociação com o Banco Regional de Brasília (BRB), tentativa de venda interrompida pelo Banco Central em setembro do ano passado.

Na avaliação da autoridade monetária, havia inconsistências relevantes nos ativos apresentados pelo Master, além de riscos considerados incompatíveis com a estrutura do banco comprador. A negociação previa a criação de um grupo financeiro de grande porte, com ativos estimados na casa dos R$ 100 bilhões.

Pouco tempo depois, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes bilionárias envolvendo carteiras de crédito. Segundo a investigação, os valores sob suspeita ultrapassam R$ 12 bilhões. Vorcaro chegou a ser preso durante a operação, mas teve a prisão revogada e atualmente responde em liberdade, sob monitoramento eletrônico.

No início de dezembro, o caso chegou ao Supremo Tribunal Federal após decisão do ministro Dias Toffoli, que manteve o processo sob sigilo. A medida foi alvo de críticas de grupos políticos e movimentos organizados, que passaram a convocar manifestações, como a realizada nesta quinta-feira na capital.

Imagem: Amanda Perobelli | REUTERS
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