Decisão Judicial

Justiça nega prisão de PMs que mataram estudante de medicina

Marco Aurélio Cardenas Acosta, estudante de medicina de 22 anos, foi morto em 15 de novembro de 2024, durante uma abordagem policial em um hotel na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo

Ministério Público também se opõe à prisão dos policiais - Imagem: Reprodução / Redes Sociais

William Oliveira Publicado em 27/10/2025, às 13h19

A Justiça do estado de São Paulo decidiu não acatar o pedido de prisão preventiva dos policiais militares envolvidos na morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, ocorrida em novembro de 2024. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) também se posicionou contra a prisão dos agentes.

Na sentença, a juíza Luciana Menezes Scorza afirmou que "não existem elementos novos que justifiquem a decretação da custódia cautelar" dos policiais Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado. Segundo a magistrada, a apresentação de um vídeo com novas imagens sobre o incidente não é suficiente para justificar a prisão preventiva dos acusados.

A juíza também ressaltou que o pedido de afastamento dos réus de suas funções públicas ultrapassa a competência do Judiciário, sendo decisão que cabe aos superiores hierárquicos dos policiais.

"Outrossim, descabida a medida pleiteada de afastamento da função pública, extrapolando a esfera da competência do Poder Judiciário. Como bem ressaltado pelo Ministério Público, é vedado a um poder ingerir-se em outro poder, cabendo ao superior hierárquico fazê-lo, por critério de conveniência e oportunidade", acrescentou.

Além disso, a solicitação de monitoramento eletrônico dos denunciados foi negada, pois não havia indícios de descumprimento das medidas cautelares existentes.

O pai da vítima, Dr. Julio Cesar Acosta Navarro, expressou sua insatisfação com a decisão em uma carta aberta à juíza, lamentando que os acusados permaneçam em liberdade. Ele afirmou: "Você assistiu repetidamente às imagens cruéis do assassinato e tortura contra meu filho e ainda assim decidiu manter os assassinos soltos".

Sobre o andamento do processo, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) informou que a última audiência ocorreu em 9 de outubro e que as partes devem agora apresentar suas alegações finais por escrito. A decisão sobre se os policiais serão levados a julgamento pelo Tribunal do Júri ainda está pendente.

A Secretaria da Segurança Pública informou que o caso segue sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Um dos policiais já havia sido indiciado por homicídio doloso e permanece afastado das funções operacionais até o encerramento das investigações.

De acordo com o MPSP, não há novos fatos que justifiquem alterações na denúncia ou no status de liberdade dos acusados. O recurso interposto pelo assistente da acusação aguarda julgamento.

Marco Aurélio Cardenas Acosta tinha 22 anos e estava no 5° ano do curso de medicina na Universidade Anhembi Morumbi - Imagem: Reprodução / Câmera de Segurança

 

 

Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22 anos, foi morto durante uma abordagem policial dentro de um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele foi atingido por um disparo à queima-roupa após confrontos com os policiais.

As imagens mostram Marco Aurélio, sem camisa, entrando apressadamente no hotel. Logo atrás, um policial militar entra, segurando a arma e puxando o jovem pelo braço. Em seguida, outro agente desferiu um chute no estudante, que reagiu segurando o pé do policial, que acabou caindo. Nesse momento, o policial armado disparou contra Marco Aurélio.

Confira o momento:

 

No boletim de ocorrência, os policiais alegaram que Marco Aurélio estava agressivo e resistiu à abordagem, mas as imagens contradizem essa versão.

Após o disparo, Marco Aurélio foi levado ao Hospital Ipiranga, onde não resistiu aos ferimentos. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) acrescentou que, antes do incidente, o estudante teria agredido uma viatura policial e tentado fugir. As gravações das câmeras corporais foram anexadas aos inquéritos conduzidos pela Corregedoria da Polícia Militar e pelo DHPP.

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