INVESTIGAÇÃO

Justiça decreta prisão de suspeito que abandonou carro de professora morta

Corpo de Fernanda Bonin foi encontrado em 28 de abril com sinais evidentes de estrangulamento

Caso está sob investigação do DHPP - Imagem: Reprodução / Câmera de Segurança

William Oliveira Publicado em 08/05/2025, às 09h14

A Justiça de São Paulo determinou a prisão temporária de um dos suspeitos envolvidos na morte da professora Fernanda Bonin, de 42 anos. O detido foi identificado por câmeras de segurança enquanto abandonava o veículo da vítima em uma viela próxima ao terreno baldio na Vila da Paz, zona sul da capital, onde o corpo foi encontrado em 28 de abril. A cena chocou pela brutalidade: Fernanda apresentava sinais evidentes de estrangulamento, com um cadarço amarrado ao pescoço.

O caso está sob investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que já recuperou uma impressão digital parcial no Hyundai Tucson da vítima e analisa as imagens das câmeras de vigilância da região.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) reafirmou o compromisso com as apurações e informou que diligências seguem em andamento para localizar outros envolvidos e esclarecer todos os detalhes do crime.

As gravações mostram uma dupla caminhando pela rua às 21h24 do dia 27 de abril — data da última aparição de Fernanda. Cinco minutos depois, às 21h29, os indivíduos abandonaram o Hyundai Tucson na rua Ricardo Moretti.

No dia seguinte, a esposa da professora, a veterinária Fernanda Fazio, prestou novo depoimento à polícia. Em sua primeira declaração, ela contou que Fernanda saiu do apartamento no Jaguaré para ajudá-la com um problema mecânico no carro, na esquina da Avenida Jaguaré com a Avenida Torres de Oliveira — a cerca de 25 km do local onde o corpo foi encontrado.

Segundo o boletim de ocorrência, o veículo da veterinária voltou a funcionar após 30 minutos. Durante esse período, Fernanda Fazio foi até o prédio da professora e conversou com o porteiro, que não confirmou se ela havia deixado o condomínio.

No dia seguinte ao desaparecimento, Fazio percebeu a ausência da esposa no trabalho e acionou a Polícia Militar (PM). Ao retornar ao edifício, viu imagens do circuito interno mostrando Fernanda saindo de casa às 18h52 do dia anterior.

As filmagens captaram Fernanda entrando no elevador social, aparentemente tranquila, enquanto usava o celular e checava o visual no espelho. Outro vídeo registrou o Hyundai Tucson deixando a garagem exatamente às 18h52.

Em 3 de maio, a polícia localizou o veículo em uma rua próxima ao local onde o corpo foi achado. O carro foi periciado para auxiliar nas investigações.

A descoberta do corpo ocorreu na manhã de segunda-feira (28/4), por volta das 10h, quando a Polícia Militar foi acionada e encontrou Fernanda sem vida em um terreno próximo a uma adutora na Avenida João Paulo da Silva. Ela apresentava marcas claras de estrangulamento, com um cadarço enrolado no pescoço. O celular da professora ainda não foi localizado.

A Polícia Civil analisa imagens de câmeras próximas e apura se o caso será classificado como homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte), como registrado inicialmente. A SSP informou que a tipificação poderá ser revista sem comprometer os avanços das investigações.

Quem era a professora?

Professora dedicada e querida, Fernanda lecionava matemática para adolescentes na Beacon School, instituição que lamentou profundamente sua morte e destacou seu legado entre alunos e colegas, marcado pelo comprometimento e gentileza. A escola está oferecendo apoio emocional à comunidade escolar neste momento de luto.

Fernanda Bonin era casada com Fernanda Fazio há oito anos e mãe de dois filhos. Embora não vivessem juntas há cerca de um ano, o casal fazia terapia na tentativa de reconciliação. Depoimentos colhidos pela polícia apontam que Fernanda era muito estimada por todos que a conheciam.

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