A Polícia Civil apreendeu garrafas de gin e investiga a procedência das bebidas que causaram intoxicação em jovens
Gabriela Thier Publicado em 29/09/2025, às 18h21
A Polícia Civil de São Paulo iniciou uma investigação para determinar a procedência de duas garrafas de gin que resultaram na internação de quatro jovens, com idades entre 23 e 27 anos, devido à intoxicação por metanol. Um dos afetados, identificado como Rafael Dos Anjos Martins Silva, se encontra em coma e necessita de ventilação mecânica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Conforme informações do boletim de ocorrência, as bebidas foram adquiridas no dia 30 de agosto em uma adega situada na Avenida Presidente João Goulart, no Jardim Malia II, uma área da Cidade Dutra, na Zona Sul da capital paulista. O grupo de amigos costumava frequentar o estabelecimento.
Dois homens associados à adega estão sob investigação. Durante as diligências, as duas garrafas consumidas pelos jovens foram apreendidas, juntamente com outras 14 garrafas lacradas que serão submetidas a exames periciais.
O caso foi registrado sob a tipificação de falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais. O delegado Carlos Mezher informou à TV Globo que está aguardando os resultados dos laudos periciais. "Estamos dependendo muito das análises relacionadas a essa tragédia envolvendo esses jovens, especialmente no caso do Rafael, que ainda se encontra em estado crítico", afirmou.
A adega apresentou a documentação necessária e a nota fiscal referente à compra das garrafas de gin. O delegado observou: "Não podemos descartar a possibilidade de que antes de adquirir as bebidas na adega, eles tenham consumido outras que não possuíam procedência. Isso representa um risco considerável".
Detalhes da Intoxicação
Segundo o boletim de ocorrência, os jovens estavam reunidos na casa de Rafael para uma confraternização que durou até aproximadamente às 3h da manhã. Das cinco pessoas presentes, quatro apresentaram sintomas graves após o consumo das bebidas.
No dia seguinte, Rafael começou a vomitar e relatar dores abdominais intensas. Inicialmente acreditou tratar-se de uma ressaca, mas logo começou a gritar que estava perdendo a visão.
Ele foi levado ao Hospital Geral do Grajaú e posteriormente transferido para o Hospital São Luiz em Osasco para sessões de hemodiálise, onde permanece internado. A mãe dele, Helena Martins, declarou ao programa Fantástico que a condição do filho é irreversível: "Ele está respirando com auxílio de um ventilador e não apresenta fluxo sanguíneo cerebral. Segundo os médicos, sua situação é irreversível".
Outro membro do grupo, Nathalia Carozzi Gama, também foi internada na UTI por cinco dias e relatou à TV Globo que ainda lida com sequelas neurológicas decorrentes da intoxicação. "Foi muito difícil. Eu estive na UTI e passei por diversos exames; o caso impressionou até os médicos pela gravidade. Após o tratamento, preciso continuar o acompanhamento com um neurologista devido às sequelas como falta de equilíbrio", comentou Nathalia.