Após quitar mais de R$ 2,2 mil referentes à condenação por difamação em ação ligada a ex-deputada, defesa de Luan Araújo pede revogação da medida
Redação Publicado em 13/06/2026, às 08h35
O jornalista Luan Araújo informou à Justiça de São Paulo que quitou integralmente os valores estabelecidos em sua condenação por difamação e solicitou o cancelamento da ordem de prisão expedida contra ele. A manifestação foi apresentada por seus advogados em petição protocolada nesta quinta-feira (11).
De acordo com o documento, foram pagos R$ 595,30 referentes à multa imposta no processo e R$ 1.621 relativos à prestação pecuniária, somando R$ 2.216,30. A defesa sustenta que, com a regularização das obrigações, não há mais motivo para a manutenção da medida de prisão.
Os advogados afirmam que o jornalista não possuía condições financeiras para arcar sozinho com os custos da condenação. Segundo a petição, o valor foi reunido por meio de uma campanha de arrecadação organizada por amigos, familiares e apoiadores. A mobilização ganhou repercussão nas redes sociais e, até esta sexta-feira (12), já havia ultrapassado a marca de R$ 42 mil em doações.
Na avaliação da defesa, a própria necessidade da campanha demonstra a dificuldade econômica enfrentada por Araújo. Os advogados também destacam que ele jamais se recusou a cumprir a decisão judicial e que buscou alternativas para regularizar a situação.
O caso teve origem em um artigo publicado pelo jornalista após o episódio ocorrido em outubro de 2022, quando a então deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) o perseguiu armada pelas ruas do bairro dos Jardins, na capital paulista, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. No texto, Araújo fez críticas à parlamentar, o que resultou em sua condenação por difamação.
A ordem de prisão foi determinada pelo juiz José Fernando Steinberg, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), após o entendimento de que a pena pecuniária não havia sido cumprida. Antes da decisão, a defesa havia solicitado o parcelamento da dívida e argumentado que a falta de pagamento decorria exclusivamente da situação financeira do jornalista.
A repercussão do caso levou o vereador de Cotia e ex-deputado federal Alexandre Frota (PDT) a se manifestar publicamente em apoio a Araújo. Em uma publicação nas redes sociais, o parlamentar se ofereceu para auxiliar no pagamento da dívida e colocou sua equipe jurídica à disposição do jornalista.
O episódio que deu origem ao processo também teve desdobramentos para Carla Zambelli. Em outubro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-deputada a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal relacionados à perseguição armada contra Araújo. Atualmente, ela está na Itália e aguarda o andamento do novo processo de extradição para o Brasil.