Operação da Corregedoria e do Gaeco aponta recebimento de R$ 1,5 milhão para interferir em investigação sobre tráfico internacional de drogas
Letícia Sales Publicado em 12/02/2026, às 09h46
A Corregedoria Geral da Polícia Civil de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) deflagraram, nesta quinta-feira (12), uma operação para cumprir medidas cautelares contra dois investigadores de classe especial suspeitos de envolvimento em um esquema de corrupção e tráfico de influência dentro da corporação.
A investigação, que tramita sob sigilo, teve como ponto de partida dados extraídos de celulares apreendidos durante a “Operação Face Off”. De acordo com os documentos, mensagens atribuídas a Tania Aparecida Nastri e Carlos Huerta indicariam tratativas sobre pagamento de propinas e interferências em apurações internas.
Segundo as apurações, os policiais teriam utilizado suas funções para acessar informações sigilosas nos sistemas da Polícia Civil e pressionar delegados responsáveis por procedimentos disciplinares. Entre os episódios citados estão negociações para custear viagens internacionais de luxo, incluindo Dubai, além de pagamentos em dinheiro em troca de benefícios administrativos, como transferências de unidade e gestão de férias.
A Justiça determinou o afastamento imediato dos dois investigadores de suas funções públicas, a suspensão de suas atividades empresariais e a proibição de acesso a redes sociais e aplicativos de mensagens. Também foram autorizadas buscas em endereços residenciais e profissionais para apreensão de celulares, computadores e documentos.
Atualmente, Tânia estava lotada no Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE), enquanto Huerta chefiava o 13º Distrito Policial, na Casa Verde. Houve cumprimento de mandados nas unidades onde ambos atuam.
As investigações apontam que o esquema teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para interromper a chamada “Operação Alfaiate”, que apura tráfico internacional de drogas. Conforme os investigadores, parte do valor, aproximadamente R$ 800 mil, teria sido depositada na conta de uma empresa de locação de veículos, enquanto outros R$ 700 mil teriam sido pagos em espécie. Os recursos, segundo a apuração, teriam origem em narcotraficantes ligados a uma organização criminosa e sido intermediados por advogados.
Mensagens encontradas em celulares de outros investigados, já presos, reforçariam a suspeita de interferência indevida em procedimentos da Corregedoria, além da negociação de vantagens pessoais, como presentes e passagens internacionais.