Encontro sob suspeita

Imagens reforçam investigação sobre suposta ligação entre policial e grupo que planejava atentado contra promotor

Imagens mostram encontro entre investigador da Polícia Civil e empresário apontado como integrante do plano para matar membro do Gaeco

Ministério Público destaca a importância da colaboração entre instituições para enfrentar a infiltração criminosa no serviço público - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 09/06/2026, às 12h23

Vídeos obtidos durante as investigações do Ministério Público de São Paulo passaram a integrar uma das principais linhas de apuração da Operação Infiltrados, deflagrada nesta terça-feira (9). As imagens mostram um encontro entre o então chefe dos investigadores da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas e um empresário acusado de participar do planejamento de um atentado contra um promotor de Justiça.

Segundo os investigadores, a reunião ocorreu poucos dias antes da Operação Pronta Resposta, realizada em agosto de 2025 para impedir a execução do suposto plano criminoso que tinha como alvo o promotor Amauri Silveira Filho, integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

O policial envolvido é Maurício Aparecido de Oliveira, preso nesta terça-feira durante a nova fase das investigações que apuram a infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) em órgãos públicos. Na época do encontro, ele ocupava o cargo de chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Atualmente, estava lotado no 1º Distrito Policial da cidade.

Do outro lado da reunião aparece o empresário José Ricardo Ramos, preso desde agosto do ano passado. Conforme o Ministério Público, ele é apontado como um dos principais envolvidos na execução do plano que pretendia atacar o promotor responsável por investigações contra a facção criminosa.

As imagens são consideradas relevantes porque registram a aproximação entre os dois investigados justamente no período que antecedeu a operação que frustrou o atentado.

A Operação Infiltrados também resultou na prisão de um ex-policial civil e de um ex-estagiário do Ministério Público. Os três são suspeitos de atuar em benefício do PCC por meio do vazamento de informações sigilosas, corrupção e outros crimes relacionados à organização criminosa.

Além das prisões temporárias, foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso, no interior paulista. As diligências contam com o apoio das corregedorias da Polícia Civil e da Polícia Penal, além da participação da Polícia Militar.

A ação é um desdobramento das operações Pronta Resposta e Off White, que investigaram, respectivamente, um plano para assassinar um promotor do Gaeco e um esquema de lavagem de dinheiro ligado a lideranças do PCC.

Em nota, o Ministério Público destacou a importância da atuação conjunta das instituições no combate à infiltração criminosa no serviço público.

"Todos os fatos estão sob apuração no Gaeco e o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente", afirmou o órgão.

As investigações continuam para identificar o alcance da atuação do grupo e a eventual participação de outros agentes públicos no esquema.

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