Levantamento inédito mostra aumento nos diagnósticos de doenças crônicas e reforça importância da prevenção e do acesso ao SUS
Marina Milani Publicado em 22/10/2025, às 18h02
O número de paulistanos diagnosticados com hipertensão aumentou nas últimas duas décadas. Segundo o Inquérito de Saúde no Município de São Paulo (ISA Capital 2024), realizado pela Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde, uma em cada quatro pessoas (26,3%) com mais de 20 anos na capital vive com a doença.
Em 2003, quando o levantamento foi feito pela primeira vez, o índice era de 17%. O professor da USP Gizelton Pereira Alencar, responsável pelo estudo, explica que o crescimento pode estar relacionado não apenas ao aumento dos casos, mas também ao maior acesso da população ao diagnóstico e aos serviços de saúde.
“Não se trata necessariamente de um maior adoecimento. Pode ser também a ampliação do acesso ao diagnóstico”, afirmou o pesquisador.
O levantamento, que ouviu 5 mil pessoas entre agosto de 2023 e dezembro de 2024, mostra um retrato detalhado da saúde dos moradores da cidade, incluindo hábitos alimentares, consumo de álcool e tabagismo.
Os casos de diabetes também apresentaram aumento: passaram de 4% em 2003 para 11% atualmente. Já o tabagismo caiu de 18,9% para 14,2% no mesmo período, demonstrando avanços nas políticas públicas de combate ao cigarro.
Outro dado que chama atenção é o consumo de álcool: 27,5% dos entrevistados com 12 anos ou mais relataram consumo de risco, enquanto 4,5% estão em nível considerado de alto risco ou provável dependência.
Entre os adultos, 35,7% estão com sobrepeso e 26,9% têm obesidade. Já entre os idosos, os índices são de 11,8% e 28,4%, respectivamente.
O levantamento revelou ainda que 35,8% dos paulistanos afirmam ter contraído Covid-19, e 97,4% disseram ter tomado ao menos uma dose da vacina — o que reforça a adesão da população às campanhas de imunização promovidas pela Prefeitura.
Os dados também confirmam a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital paulista. Cerca de 85% dos entrevistados afirmaram ter realizado pelo menos uma consulta médica no último ano, sendo que 57,3% utilizaram o SUS, 32,8% recorreram a convênios e 8% pagaram com recursos próprios.
No caso de internações e cirurgias, mais da metade (56,2%) foi realizada pelo sistema público de saúde.
Para a Secretaria Municipal da Saúde, os resultados reforçam a necessidade de manter e ampliar as ações de prevenção, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo das doenças crônicas, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), que funcionam como porta de entrada para o atendimento gratuito na cidade.
O ISA Capital 2024 será divulgado em boletins temáticos ao longo dos próximos meses, detalhando outros aspectos da saúde e do estilo de vida dos paulistanos.