Paralisação afeta operações internacionais e leva companhias aéreas a suspender voos entre o GRU Airport e Buenos Aires em meio ao debate sobre a reforma trabalhista no país
Lívia Gennari Publicado em 19/02/2026, às 08h09
Uma nova onda de paralisações na Argentina levou ao cancelamento de mais de 20 voos entre o país vizinho e o Brasil nesta quinta-feira (19). A greve geral, organizada em meio à discussão sobre mudanças profundas nas leis trabalhistas, repercutiu imediatamente na malha aérea internacional.
De acordo com a GRU Airport, que administra o principal aeroporto de São Paulo, 14 voos haviam sido cancelados até as 8h em razão da paralisação.
Entre os voos afetados estão operações de empresas como Aerolíneas Argentinas, Latam, Delta Air Lines, Qatar Airways, ITA Airways, Air France, Gol Linhas Aéreas, KLM e Ethiopian Airlines.
A mobilização desta quinta marca a quarta greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) desde a posse do presidente Javier Milei, em 2023. A entidade sindical afirma que a proposta de reforma trabalhista enviada pelo governo ao Congresso representa um retrocesso nas garantias dos trabalhadores.
Além do impacto nos aeroportos, trabalhadores de ônibus, metrô e trens aderiram ao chamado em diversas cidades argentinas. A expectativa é de maior concentração de manifestações na capital Buenos Aires, onde deputados iniciam nesta quinta a análise do projeto de reforma. A pressão sobre o Legislativo deve se intensificar ao longo do dia, às vésperas de uma votação considerada crucial para o governo.
A greve ocorre justamente no momento em que a Câmara dos Deputados argentina se prepara para discutir pontos centrais da proposta, que integra o pacote econômico defendido por Milei. Enquanto o debate político avança, passageiros seguem enfrentando incertezas sobre embarques e conexões em ambos os países.