Uma operação do Gaeco resultou no bloqueio de R$ 5,8 milhões em bens de investigados por fraude veicular, com ações realizadas em Itapecerica da Serra, Cotia e na cidade de São Paulo
William Oliveira Publicado em 19/12/2025, às 07h38
Nesta sexta-feira (19), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), em parceria com a Polícia Civil, deflagrou uma operação de grande impacto contra um esquema criminoso especializado na emissão fraudulenta de documentos para reboques e semirreboques com registros de roubo, furto ou outras restrições civis.
A ofensiva resultou no cumprimento de sete mandados de busca e apreensão nos municípios de Itapecerica da Serra, Cotia e na capital paulista. Entre os alvos estão duas empresas e quatro pessoas físicas, incluindo o líder do esquema criminoso e seus dois filhos.
Por decisão judicial, também foi determinado o sequestro e bloqueio de bens que somam aproximadamente R$ 5,8 milhões, pertencentes aos investigados.
Segundo as investigações, o grupo atuava na reinserção ilegal de veículos no mercado, atribuindo uma nova identidade a reboques e semirreboques roubados ou furtados. Os veículos eram apresentados como se fossem novos e fabricados por uma empresa formalmente constituída, ocultando sua origem criminosa.
Um dos principais focos da operação é uma fabricante localizada em Itapecerica da Serra, que recebe diretamente da Secretaria Nacional de Trânsito (SNT) os números de chassis para produção. Essas informações são posteriormente registradas na Base Índice Nacional (BIN) do Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).
Conforme o procedimento regular, os dados dos veículos fabricados são encaminhados ao Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) no momento do primeiro emplacamento. No entanto, de acordo com o Ministério Público, a documentação era fraudada para “esquentar” veículos adquiridos por meio de receptação.
A chamada Operação Cacique teve início após fiscalizações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) realizadas em cinco estados brasileiros. Durante as abordagens, foram identificados reboques e semirreboques registrados como produção própria da empresa investigada, mas que apresentavam sinais evidentes de uso, eram mais antigos e possuíam características incompatíveis com veículos novos, indicando origem em outros fabricantes.
Até o momento, foram confirmadas 15 falsificações, porém os promotores do Gaeco acreditam que o número real seja consideravelmente maior.
O Gaeco também apontou que os investigados apresentavam movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada e possuíam antecedentes criminais. Além disso, foi constatado que os números de chassis e outros sinais identificadores dos veículos eram adulterados, com o objetivo de dificultar ou inviabilizar a identificação da procedência original.
As condutas investigadas configuram crimes de receptação, adulteração de sinais identificadores de veículos automotores, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.