Poluição

Fábrica de lã de vidro será fechada na zona sul de São Paulo após denúncias de poluição e barulho

Acordo com Ministério Público e Cetesb prevê fim da produção até julho de 2026 e multa diária em caso de descumprimento

Vista da fábrica da Saint-Gobain em Santo Amaro, alvo de denúncias ambientais e que terá a produção encerrada por decisão conjunta de órgãos públicos. - Imagem: Reprodução.

Erika Osti Publicado em 30/12/2025, às 16h08

Depois de anos de reclamações, protestos e denúncias de moradores, uma fábrica de lã de vidro da multinacional francesa Saint-Gobain, pertencente ao grupo Isover, em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, terá suas atividades industriais encerradas. O fechamento está previsto para ocorrer até julho de 2026 e foi definido por meio de um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado, a Cetesb.

A decisão põe fim a um longo conflito entre a indústria e a comunidade do entorno, que relatava episódios frequentes de poluição atmosférica, mau cheiro e barulho intenso, inclusive durante a noite e a madrugada. Moradores afirmavam que a rotina da fábrica impactava diretamente a qualidade de vida, com relatos de problemas respiratórios, irritação nos olhos, ressecamento da pele e dificuldade para dormir por causa do ruído constante.

O encerramento das atividades industriais está previsto em um Termo de Ajustamento de Conduta, o TAC, que estabelece prazos e obrigações claras para a empresa. Pelo acordo, a produção de lã de vidro será interrompida até o início de julho de 2026. O forno de fusão de vidro, apontado como principal fonte das emissões de fumaça e odores, também deverá ser desligado dentro desse cronograma.

Após o fechamento da fábrica, o local deixará de operar como unidade industrial e passará a funcionar exclusivamente como um centro de distribuição da marca. Os produtos abastecem setores como construção civil, indústria automotiva, agronegócio e áreas de tecnologia, como data centers.

O TAC prevê ainda a implementação de um plano de gerenciamento de áreas contaminadas, com medidas voltadas ao controle ambiental, descarte adequado de resíduos e acompanhamento técnico das condições do solo e do entorno. Em caso de descumprimento das cláusulas do acordo, a empresa poderá ser multada em R$ 10 mil por dia. O termo ainda será submetido à análise do Conselho Superior do Ministério Público paulista.

Em nota, a Isover confirmou a assinatura do acordo e afirmou que sempre operou no local em conformidade com a legislação ambiental e com padrões de segurança e saúde estabelecidos por normas nacionais e internacionais. A empresa destacou que está instalada na região há mais de 70 anos e que, ao longo do tempo, realizou investimentos em melhorias ambientais, como isolamento acústico e tecnologias para reduzir emissões.

Segundo a companhia, o período de transição até o encerramento definitivo da produção será utilizado para mitigar os impactos sociais da desativação, que afeta mais de 100 famílias de funcionários diretos, além de milhares de trabalhadores indiretos ligados à cadeia produtiva.

O caso ganhou força a partir de março de 2023, quando moradores protocolaram uma petição junto à Cetesb pedindo a suspensão das emissões da fábrica. A partir daí, o Ministério Público passou a investigar a atuação da empresa. Nos últimos meses, audiências públicas e reuniões com órgãos municipais e estaduais ampliaram a pressão sobre a indústria.

Nos dois últimos anos, a Cetesb aplicou multas e advertências à empresa por irregularidades relacionadas à emissão de odores e ruídos. Para lideranças comunitárias e representantes do poder público, o encerramento da produção representa um avanço importante para a saúde da população e para a melhoria da qualidade do ar na capital paulista. O futuro da área ainda será discutido entre autoridades e moradores da região.

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