Enel diz que situação está dentro da normalidade; apagão de cinco dias expôs fragilidade da rede elétrica
Lívia Gennari Publicado em 15/12/2025, às 07h00
Cinco dias após o apagão de grandes proporções atingir a Grande São Paulo, o fornecimento de energia elétrica foi considerado normalizado pela concessionária Enel. A região amanheceu nesta segunda-feira (15) com aproximadamente 30 mil imóveis ainda sem luz — número que, segundo a empresa, está dentro da média registrada em dias comuns. Na capital paulista, o total de clientes afetados gira em torno de 20 mil.
A crise teve início na semana passada, quando um vendaval de intensidade incomum atingiu o estado. O fenômeno derrubou árvores, comprometeu a rede elétrica, provocou o desligamento de semáforos e causou transtornos em série, incluindo o cancelamento de voos e atrasos no transporte público. No momento mais crítico, na quarta-feira (10), mais de 2,2 milhões de unidades consumidoras ficaram sem energia.
Além dos impactos na mobilidade urbana e na segurança, a falta de eletricidade trouxe perdas expressivas para o comércio e para moradores. Estabelecimentos relataram prejuízos milionários, enquanto consumidores tiveram de descartar alimentos e medicamentos que dependiam de refrigeração adequada.
No sábado (13), a Enel havia informado que o serviço seria totalmente restabelecido até o fim do domingo (14). Embora a maior parte da rede tenha sido recuperada dentro do prazo, a empresa afirmou que ainda mantém equipes em campo para atender ocorrências mais complexas, que exigem reconstrução de trechos da rede, substituição de cabos, postes e outros equipamentos danificados.
A demora na retomada do fornecimento levou à atuação do Judiciário. Na noite de sexta-feira (12), uma decisão judicial determinou a recomposição imediata do serviço, sob pena de multa de R$ 200 mil por hora em caso de descumprimento. A medida foi tomada a partir de uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo e da Defensoria Pública.
Diante da dimensão do apagão, órgãos federais também intervieram. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e o Ministério de Minas e Energia autorizaram o envio de equipes de outras distribuidoras para reforçar os trabalhos da Enel em São Paulo, acelerando o processo de recomposição do sistema.