Polícia Civil analisa imagens da unidade e familiares cobram responsabilização pelo caso durante protesto em São Paulo
Letícia Sales Publicado em 28/07/2026, às 13h41
Duas profissionais da Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, foram desligadas após a morte de Abidulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses. A informação foi confirmada pela Secretaria Municipal da Educação (SME) nesta segunda-feira (27), enquanto a Polícia Civil avança na investigação sobre as circunstâncias da tragédia.
Segundo a pasta, a sala onde ocorreu o acidente permanece interditada desde o dia 24 de julho e passa por análise técnica. A secretaria também instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso.
"A Secretaria Municipal de Educação (SME) reitera que a sala mencionada permanece interditada desde o dia 24/07 e passa por análise técnica. A Pasta reforça que está em curso procedimento administrativo para apurar os fatos. Caso sejam confirmadas irregularidades, serão adotadas as providências cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização parceira responsável pela unidade. Até o momento, duas profissionais foram desligadas", informou a pasta.
Na tarde de segunda-feira (27), familiares, amigos e representantes da comunidade imigrante realizaram um protesto em frente à creche pedindo justiça e esclarecimentos sobre a morte do menino.
"O nosso pedido hoje é pedido justiça, é de responsabilização, de um abandono de uma criança incapaz. A criança foi deixada durante seis minutos e ele agonizou até morrer", afirmou Mariama Bintu Bah, integrante do Conselho Municipal de Imigrantes.
Durante a manifestação, familiares também criticaram a forma como foram informados sobre a morte da criança.
"Pegar sua criança, dar banho, deixar ela para ir à escola e você receber um texto, nem uma ligação, um texto que eles passam, você chega e encontra ele em óbito. Está doendo! E eles não conseguem expressar a dor que eles sentem por causa do idioma, então estamos tristes", disse uma representante da família.
Abidulaye morreu na manhã da última quarta-feira (22), depois de prender a cabeça no vão entre uma barra de ferro e um espelho dentro de uma das salas da creche. De acordo com a investigação, ele permaneceu preso por cerca de seis minutos até que as monitoras retornassem ao local.
A Polícia Civil já recebeu cerca de quatro horas de imagens das câmeras de segurança da unidade e realiza a análise do material. Novos depoimentos devem ser colhidos nos próximos dias, e a expectativa é de que o inquérito seja concluído em menos de 30 dias.
Uma das linhas de investigação apura a denúncia de que as crianças teriam ficado sem supervisão porque funcionários participavam de uma festa de aniversário. As pessoas ouvidas até o momento afirmaram que a comemoração ocorreu antes do acidente, mas as imagens deverão esclarecer a sequência dos fatos.
O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás).
O pai da criança, Ibrahima Dieng, relatou que deixou o filho na creche por volta das 7h30 e recebeu a notícia do acidente cerca de uma hora e meia depois.
"Hoje foi lá na escola e depois ele fala ligar (...) chegou, ele fala 'cadê criança?', esperar e depois ele morreu", contou.
Emocionado, ele descreveu o sofrimento da família após a perda.
"Tem que chorar, chorar muito assim, é triste."
Segundo o pai, a mãe do menino também ficou profundamente abalada com a notícia.
"Chora muito... é triste, muito. Vai ser muito difícil recuperar."
Além da investigação criminal, a Secretaria Municipal da Educação informou que presta apoio psicológico e assistência social à família, além de acompanhamento às crianças, familiares e funcionários da unidade.