Pedido ao Ministério Público mira aquisição de televisores e critérios de investimento público
Erika Osti Publicado em 16/01/2026, às 15h52
O deputado estadual Guto Zacarias (União Brasil), de São Paulo, encaminhou um pedido ao Ministério Público Federal solicitando a abertura de uma apuração sobre a compra de televisores para presídios federais de segurança máxima. A iniciativa ocorre após a divulgação de informações que apontam a aquisição de televisores do tipo Smart TV 4K, o que levantou questionamentos sobre a prioridade e a razoabilidade do uso de recursos públicos no sistema prisional administrado pela União.
No documento enviado ao MPF, o parlamentar pede que sejam analisados os critérios adotados para a compra dos equipamentos, o custo total envolvido e a real necessidade desse tipo de investimento dentro de unidades destinadas a presos de alta periculosidade. A aquisição, segundo informações já publicadas anteriormente sobre o caso, envolve 40 aparelhos, com valor aproximado de R$ 85 mil.
Os televisores fariam parte de um projeto institucional voltado à exibição de conteúdos audiovisuais em presídios federais localizados em diferentes regiões do país. A proposta oficial do programa é oferecer atividades de caráter educativo e cultural aos detentos. Ainda assim, o gasto gerou repercussão e críticas, principalmente pelo padrão dos equipamentos adquiridos e pelo momento em que o sistema prisional enfrenta desafios estruturais e de segurança.
Para Guto Zacarias, é necessário esclarecer se a compra respeitou os princípios da economicidade e do interesse público. O deputado também questiona se houve transparência suficiente na condução do processo e se alternativas mais simples e menos onerosas foram consideradas antes da decisão final.
O tema ganhou força após reportagens recentes tratarem do assunto e reacendeu o debate sobre como os recursos destinados ao sistema penitenciário federal estão sendo aplicados. Especialistas em segurança pública costumam apontar que presídios federais operam com custos elevados e exigem investimentos constantes em vigilância, inteligência e controle interno, o que torna ainda mais sensível qualquer gasto fora dessas áreas prioritárias.
Até o momento, o Ministério Público Federal não informou se já abriu procedimento formal para analisar o pedido do parlamentar. O caso segue em acompanhamento e deve continuar gerando repercussão política e institucional nos próximos dias, especialmente diante da cobrança por maior transparência na gestão dos presídios federais.