Uso de celulares cai 75% na rede estadual após proibição sancionada por Tarcísio; escolas relatam melhora na aprendizagem e na socialização
Marina Milani Publicado em 08/12/2025, às 09h04
As escolas estaduais de São Paulo registraram uma queda expressiva no uso de celulares em sala de aula desde o início da proibição implementada pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em oito meses, as ocorrências diminuíram 75%, segundo dados da Secretaria Estadual da Educação (Seduc).
A pasta passou a acompanhar os registros a partir de fevereiro, quando a lei que veta celulares e outros dispositivos eletrônicos começou a valer. Naquele mês, foram contabilizados cerca de 24 mil casos na plataforma Conviva-SP. Em outubro, o número caiu para menos de 6 mil, refletindo a adesão crescente das unidades ao novo protocolo.
A legislação, aprovada em dezembro de 2024, restringe o uso dos aparelhos em todos os períodos — inclusive no recreio. Há exceções apenas para atividades pedagógicas, acessibilidade, inclusão ou necessidades de saúde. Cada escola, no entanto, possui autonomia para definir estratégias de aplicação da regra. “As equipes escolares têm autonomia, respaldada pela legislação estadual, para definir as melhores estratégias de aplicação da lei, registrando no Conviva-SP apenas situações que comprometam o previsto na norma”, afirmou a Seduc, em nota.
A secretaria também reforça que não há punição prevista ao estudante, cabendo às equipes gestoras dialogar com famílias e estabelecer medidas educativas. A lei determina, ainda, que as escolas ofereçam meios para guardar os aparelhos caso os alunos os levem para o colégio.
Nos primeiros meses, houve resistência — especialmente entre estudantes do ensino médio, para quem o celular se tornou parte inseparável da rotina. Diretores relatam que as primeiras semanas foram marcadas por questionamentos, tentativas de driblar a regra e necessidade de reforço nas orientações.
Com o tempo, porém, muitas escolas afirmam ter observado mudanças positivas. Unidades que conseguiram estruturar bem o processo relatam que o ambiente de sala de aula ficou mais concentrado, com menos interrupções e maior participação. Professores registraram melhora no foco e na dinâmica das atividades, enquanto gestores notaram avanços na socialização entre os alunos, que passaram a interagir mais durante os intervalos.
O governo considera os resultados um indicativo de que a medida está sendo assimilada pela rede. As escolas, por sua vez, continuam ajustando rotinas, revisando estratégias e buscando equilíbrio entre disciplina, liberdade e tecnologia — um debate que deve seguir vivo nos próximos meses, à medida que o impacto da lei se consolida no cotidiano escolar.