Crescimento de Tarcísio acende alerta e une Haddad e Alckmin na esquerda paulista

PT passa a mirar Haddad e Alckmin como opções para enfrentar Tarcísio em 2026 após movimento nacional de Flávio Bolsonaro

Apesar da movimentação, Haddad e Alckmin indicam que não têm interesse em concorrer - Imagem: Divulgação / Governo de São Paulo || Reprodução / Agência Brasil

Marina Milani Publicado em 08/12/2025, às 09h12

O anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência reacendeu debates internos no PT e trouxe à tona dois nomes de peso para a disputa ao governo de São Paulo em 2026: o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB). Lideranças do partido avaliam que, com o cenário nacional mais agitado, será necessário lançar uma chapa forte no estado — especialmente se o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) decidir concorrer à reeleição.

Tarcísio mantém índices sólidos de aprovação, e, para dirigentes petistas, só nomes com forte capital político conseguiriam competir em condições reais. Alckmin, que governou São Paulo quatro vezes, é visto como alguém que ainda preserva influência importante no eleitorado paulista. Haddad, por sua vez, representa o símbolo político da esquerda e saiu da eleição de 2022 com uma diferença considerada “estreita” para um candidato estreante no governo estadual: 55,27% de Tarcísio contra 44,73% do petista no segundo turno.

Apesar da movimentação, ambos já indicaram não ter disposição para disputar o governo. Alckmin sinaliza preferência por seguir na Vice-Presidência, enquanto Haddad afirma publicamente que não pretende concorrer. Ainda assim, petistas avaliam que o cenário pode mudar. “Até março, muita coisa pode acontecer”, diz o líder do PT na Assembleia Legislativa, Antônio Donato. Para ele, a candidatura de Flávio “é para valer” e exige que São Paulo esteja alinhado com uma estratégia mais ampla da sigla.

O deputado Paulo Fiorilo reforça que Haddad e Alckmin “são dois grandes nomes”, com “chances reais de vitória”. Segundo ele, ambos têm legado, visibilidade e condições de enfrentar um governador bem avaliado. Ainda assim, o parlamentar reconhece que as peças do xadrez nacional seguem se mexendo. “A declaração do candidato Bolsonaro ontem sinaliza possíveis mudanças. Haverá pressão do mercado e dos partidos de centro-direita para mudar o nome [à Presidência]. Hoje, o Haddad é o mais cotado para São Paulo, mas precisamos esperar 2026 chegar.”

Enquanto isso, no entorno de Tarcísio e entre dirigentes do Centrão, a pré-candidatura de Flávio é vista com ceticismo. O próprio senador afirmou no domingo que existe um “preço” para retirar seu nome da disputa — declaração que adicionou ainda mais tensão ao tabuleiro eleitoral de 2026.

No PT e no governo paulista, a sensação é de que a eleição começou a se mover mais cedo do que o previsto — e que São Paulo, novamente, será peça-chave no ano eleitoral que se aproxima.

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