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Capela dos Aflitos é reaberta na Liberdade, centro de São Paulo

Após ampla restauração, patrimônio histórico volta a receber visitantes e preserva a memória da escravidão na capital paulista

Capela dos Aflitos - Imagem: Creative Commons

Manoela Cardozo Publicado em 28/06/2026, às 12h00

A Capela de Nossa Senhora das Almas dos Aflitos, localizada no bairro da Liberdade, no Centro de São Paulo, foi reaberta neste sábado (27), durante uma missa que também celebrou os 247 anos da construção do templo.

O imóvel passou por um amplo processo de restauração iniciado em abril de 2025. Ao todo, foram investidos mais de R$ 3,2 milhões em obras de preservação, modernização, acessibilidade e revitalização do espaço histórico.

Entre as melhorias realizadas estão a recuperação da fachada, do telhado, da sacristia, dos bancos, do velário e dos sinos, além da consolidação das estruturas de taipa de pilão que apresentavam graves sinais de erosão. O relógio original da capela, desaparecido desde a década de 1950, também foi reinstalado.

O projeto ainda implantou recursos de acessibilidade, como piso tátil, mapa tátil, audiodescrição e conteúdos em Libras, além de modernizar os sistemas elétrico, hidráulico, de climatização, monitoramento por câmeras e combate a incêndio. Um espaço específico também foi construído para receber os remanescentes humanos encontrados durante as escavações arqueológicas.

As obras ganharam ainda mais importância após as pesquisas arqueológicas confirmarem que o local fazia parte do antigo Cemitério dos Aflitos, utilizado entre o fim do século XVIII e meados do século XIX para o sepultamento de indígenas, africanos escravizados e seus descendentes.

Durante as escavações, arqueólogos localizaram os restos mortais de pelo menos cinco pessoas, reforçando o valor histórico do espaço como um dos principais marcos da memória da escravidão em São Paulo.

A restauração contou inicialmente com R$ 2 milhões obtidos por meio de edital do ProAC, em parceria com o Ministério da Cultura. Posteriormente, a Prefeitura de São Paulo destinou mais R$ 1,2 milhão à Mitra Arquidiocesana de São Paulo, responsável pela administração da capela, permitindo a conclusão das intervenções.

Segundo a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa, a recuperação da Capela dos Aflitos atende a uma antiga reivindicação da população, especialmente da comunidade negra, por um espaço dedicado à preservação dessa parte da história paulistana.

Além da reabertura da capela, está prevista a construção do Memorial dos Aflitos, que reunirá informações sobre as descobertas arqueológicas e a história da região. Também está programado para novembro, durante o Mês da Consciência Negra, o lançamento de um livro sobre as escavações e a educação patrimonial desenvolvida no local.

A capela também guarda a memória de Francisco José das Chagas, o Chaguinha, militar executado em 1821 e considerado por muitos fiéis um santo popular. Até hoje, visitantes mantêm a tradição de bater três vezes na porta do velário e deixar bilhetes com pedidos e agradecimentos.

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