João Vitor Malachias foi condenado por assassinar a dentista Bruna Angleri, com pena de 35 anos e 10 meses em regime fechado
William Oliveira Publicado em 17/07/2025, às 10h47
O cantor sertanejo João Vitor Malachias foi condenado a 35 anos, 10 meses e 14 dias de prisão em regime fechado pelo assassinato da dentista Bruna Viviane Angleri, de 40 anos. A sentença foi proferida por um júri popular no município de Araras, interior de São Paulo, onde o crime ocorreu em setembro de 2023.
Além do feminicídio, a condenação incluiu os crimes de furto e destruição de cadáver, já que parte do corpo da vítima foi encontrada carbonizada sobre uma cama. O juiz Djalma Moreira Gomes Junior, da Vara Criminal de Araras, também negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.
A defesa, representada pelo advogado Diego Emanuel da Costa, anunciou que irá recorrer da decisão. Segundo ele, a pena é desproporcional e baseada em provas frágeis, que serão contestadas em instâncias superiores.
Corpo foi encontrado carbonizado
Bruna foi localizada morta em 27 de setembro de 2023, na casa onde morava, no bairro Distrito Industrial. O imóvel ainda estava em chamas quando a Polícia Militar chegou ao local, e os bombeiros foram acionados para conter o incêndio. Ninguém mais estava presente na residência.
A dentista deixava uma filha de seis anos e já havia obtido uma medida protetiva contra João Vitor, seu ex-companheiro. Ele também já havia sido denunciado por outra ex-namorada por agressões e ameaças.
O Instituto Médico Legal (IML) confirmou que Bruna foi baleada no rosto. Estilhaços de projétil foram encontrados durante a necropsia.
Conexões, contradições e provas
Durante a investigação, peritos constataram que o celular do cantor se conectou ao Wi-Fi da casa da vítima às 0h15 do dia do crime, no mesmo horário em que, segundo ele, estaria na casa da avó. A informação foi considerada uma das principais contradições em seu depoimento.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) classificou a evidência como um forte indício contra o álibi do réu. Além disso, câmeras de segurança registraram fumaça saindo do apartamento pouco tempo após Bruna ter chegado em casa naquela noite.
Imagens também indicaram a presença de João Vitor nas proximidades do imóvel, e um garçom relatou tê-lo visto no mesmo bar onde a vítima esteve horas antes de morrer.
Denúncia de abuso policial
Após ser preso em Ribeirão Preto, João Vitor alegou ter sofrido agressões físicas por parte dos policiais responsáveis pela detenção. Durante audiência de custódia, relatou os abusos ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que encaminhou a denúncia à Corregedoria da Polícia Civil para investigação.