Empresário pernambucano foi sentenciado a mais de 34 anos de reclusão e detenção por crimes cometidos contra ex-companheira em Porto Feliz; ele também obrigou a vítima a tatuar suas iniciais no corpo
Letícia Sales Publicado em 17/07/2026, às 11h53
O empresário pernambucano Thiago Antônio Brennand Tavares da Silva Fernandes Vieira foi condenado pela sexta vez por violência contra mulheres. A decisão, proferida na última segunda-feira (13) pela Justiça de Porto Feliz, no interior de São Paulo, sentenciou o empresário a 31 anos, 5 meses e 24 dias de reclusão em regime fechado, além de 3 anos, 2 meses e 6 dias de detenção, por crimes cometidos contra uma ex-companheira. O juiz também determinou o pagamento de R$ 100 mil à vítima como reparação civil. Ainda cabe recurso da defesa.
O caso remonta a 2022, quando a vítima relatou ao Fantástico, da TV Globo, ter sofrido agressões, estupro e ameaças de morte, além de ter tido um vídeo íntimo divulgado sem consentimento. Ela também afirmou ter sido forçada a tatuar as iniciais de Brennand no próprio corpo.
Com essa nova sentença, Brennand acumula mais de 54 anos de prisão em regime fechado, distribuídos em pelo menos quatro processos que tramitam na Justiça paulista por diferentes tipos de violência contra mulheres. Ao todo, o empresário responde atualmente a nove ações judiciais.
Entre as condenações mantidas estão o estupro de uma mulher norte-americana, cuja pena de 10 anos e 6 meses foi restabelecida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2026 após oscilar entre instâncias; a agressão contra a modelo Helena Gomes, ocorrida em uma academia paulistana, que resultou em pena de 1 ano e 8 meses; e um estupro com violência física e grave ameaça, que somou outros 10 anos e 6 meses de prisão em 2024.
Nem todas as condenações de primeira instância, no entanto, se sustentaram. Em dois processos — o estupro contra uma massagista e o caso da estudante de medicina Stefanie Cohen —, Brennand havia sido condenado a 8 anos de prisão em cada um, mas foi absolvido pelos desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Essas decisões ainda podem ser revistas, já que os processos seguem em fase de recursos no STJ e somam, juntos, 16 anos de pena sugerida pelos juízes de primeira instância.
Brennand cumpre pena na Penitenciária II Álvaro de Carvalho, em Potim, interior de São Paulo, onde se casou com sua advogada de defesa, Karina de Paula Kufa, que passou a assinar como Karina Kufa Brennand. Após o casamento, ela perdeu provisoriamente a guarda do filho.
Em nota, a advogada classificou a absolvição do marido como o "reconhecimento da verdade dos fatos" e defendeu que acusações "precisam estar amparadas em provas e depoimentos consistentes". "A isolada palavra da mulher não deve sustentar uma acusação, ainda mais sob a forte suspeita de conluio para fins escusos. Seguimos confiantes de que, nos demais casos, a análise criteriosa das provas demonstrará a inexistência de prática criminosa", afirmou.