Prisões por omissão

Avó e madrasta de menino encontrado morto em SP são presas por omissão

Polícia investiga maus-tratos, possível abuso sexual e rotina de violência dentro da casa onde Kratos Douglas, de 11 anos, vivia acorrentado

A Polícia Civil considera o caso uma prioridade e busca esclarecer a extensão das agressões sofridas pela criança ao longo do tempo - Imagem: Divulgação

Letícia Sales Publicado em 14/05/2026, às 08h38

A Polícia Civil prendeu, na noite dessa quarta-feira (13), a avó paterna e a madrasta de Kratos Douglas, menino de 11 anos encontrado morto dentro da casa da família, no bairro Cidade Kemel, na zona leste de São Paulo. As duas são investigadas por omissão diante das agressões sofridas pela criança.

Aparecida Gonçalves, de 81 anos, e Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, foram localizadas na casa de parentes em Santo André, na Grande São Paulo, após deixarem a residência onde moravam por causa da revolta de moradores da região.

Segundo a Polícia Civil, ambas foram encaminhadas ao 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, onde permanecem à disposição da Justiça. A prisão temporária foi decretada enquanto os investigadores aprofundam a apuração sobre a morte do garoto.

O pai da criança, Chris Douglas, já havia sido preso no dia em que o corpo de Kratos foi encontrado. Em depoimento, ele admitiu que acorrentava o filho dentro de casa.

“Eu fazia isso para ele não fugir de casa”, declarou aos policiais, negando outras agressões ou tortura.

O caso veio à tona após socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) acionarem a Polícia Militar ao encontrarem o menino morto com sinais evidentes de maus-tratos.

Kratos estava caído próximo à cama de um dos quartos da residência e apresentava hematomas nos braços, pernas e mãos. A polícia também constatou sinais de desnutrição.

As investigações apontam que tanto a madrasta quanto a avó tinham conhecimento de que a criança era mantida acorrentada.

A Polícia Civil aguarda os laudos periciais que devem indicar a causa da morte e esclarecer se houve abuso sexual. A residência passou por perícia técnica e agentes recolheram computadores, notebook, tablet, celulares e cartões de memória.

Os investigadores também analisam imagens de uma central de monitoramento interno instalada na casa.

Além de Kratos, outras duas crianças foram encontradas no imóvel. Uma delas possui diagnóstico de autismo.

O histórico criminal do pai da vítima também entrou no radar da investigação. Chris Douglas acumula registros policiais desde 1999 e já foi denunciado anteriormente por violência doméstica. Em 2021, a mãe de Kratos registrou boletim de ocorrência contra ele e chegou a obter medida protetiva da Justiça.

Apesar disso, o inquérito acabou arquivado em 2022.

A Polícia Civil trata o caso como prioridade e tenta esclarecer há quanto tempo a criança sofria agressões dentro de casa.

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