Tenente Henrique Velozo é julgado em São Paulo por homicídio triplamente qualificado; crime ocorreu durante show de pagode em 2022
Marina Milani Publicado em 12/11/2025, às 07h34
Depois de três anos e dois adiamentos, o policial militar Henrique Velozo começa a ser julgado nesta quarta-feira (12) em São Paulo pelo assassinato do campeão mundial de jiu-jítsu Leandro Lo.
O tenente da PM está preso preventivamente, acusado pelo Ministério Público (MP) de balear e matar o lutador após uma discussão e briga durante um show de pagode do grupo Pixote, no Clube Sírio, Zona Sul da capital. O crime ocorreu em 7 de agosto de 2022, quando o policial estava de folga e sem uniforme.
O julgamento acontece no plenário 6 do Fórum Criminal da Barra Funda, na Zona Oeste, com previsão de durar até sexta-feira (14). Serão ouvidas nove testemunhas — entre acusação e defesa —, seguidas pelo interrogatório do réu e pelos debates entre promotores, assistentes de acusação e advogados. A sentença será proferida pela juíza Fernanda Jacomini, da 1ª Vara do Júri.
Henrique responde por homicídio doloso triplamente qualificado — por motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa da vítima. O MP sustenta que o policial atirou na cabeça de Leandro, que ainda chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital. A Promotoria espera uma pena de pelo menos 20 anos de prisão.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o tenente está preso no presídio militar Romão Gomes, “à disposição do poder judiciário”.
O advogado de Henrique, Claudio Dalledone Júnior, afirma que o PM reagiu a uma agressão e agiu em legítima defesa. “Naquele dia foi provocado, atacado e reagiu. Ele não executou ninguém”, disse o defensor, que busca a absolvição do réu.
Apesar da presença de câmeras de segurança no clube, nenhuma delas registrou o momento do disparo.
Durante o julgamento, tanto a acusação quanto a defesa pretendem exibir vídeos produzidos com o uso de inteligência artificial, cada um apresentando sua versão dos fatos.
A simulação apresentada pela família de Leandro mostra o lutador imobilizando o policial antes de o disparo ser feito. Já o vídeo da defesa retrata o atleta como o agressor, que teria colocado o PM em um golpe “mata-leão” antes do tiro.
Em outubro, a Justiça anulou a decisão do governo de São Paulo que havia demitido Henrique da corporação, determinando sua reintegração e o pagamento de salários atrasados, estimados em mais de R$ 14 mil mensais.
A SSP afirmou que “até o momento o Estado não foi intimado” sobre a decisão. Já a Polícia Militar informou que “não comenta decisões judiciais”.
Leandro Lo, considerado um dos maiores nomes da história do jiu-jítsu, foi oito vezes campeão mundial. Sua primeira conquista foi em 2012, e a última, em 2022, na categoria meio-pesado.