Ricardo Nunes reafirma proibição do mototáxi em SP após acidente que resultou na morte de passageira em serviço irregular
William Oliveira Publicado em 27/05/2025, às 08h46
Na noite de segunda-feira (26), o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), mandou instalar uma faixa de alerta na Avenida Tiradentes, local onde ocorreu um trágico acidente que vitimou a jovem Larissa Barros Maximo Torres, de 22 anos. A passageira estava em um mototáxi da empresa 99 quando perdeu a vida em circunstâncias que reacenderam a polêmica sobre esse tipo de serviço na capital paulista.
A faixa, afixada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), traz a seguinte mensagem em letras maiúsculas: "A CET registrou neste local a morte de uma passageira que usava o serviço de mototáxi da empresa 99. O serviço de mototáxi é proibido —preserve sua vida."
O gesto, segundo a prefeitura, tem caráter educativo e visa alertar a população para os riscos do uso de transportes por aplicativo que operam fora da regulamentação vigente. O acidente aconteceu no sábado, 24 de setembro, quando Larissa caiu da garupa após um veículo abrir a porta em movimento, atingindo a moto em que ela estava.
Diante do ocorrido, o prefeito ordenou que mensagens semelhantes fossem espalhadas por diferentes pontos da cidade, reforçando a proibição do serviço de mototáxi. A iniciativa soma-se a um histórico de embates entre a prefeitura e empresas como a 99, que tentam emplacar o serviço de transporte por motocicleta, mesmo diante de impedimentos legais.
Desde 2023, está em vigor o decreto municipal nº 62.144, assinado por Nunes, que proíbe o uso de motos para o transporte individual remunerado de passageiros por aplicativos. No entanto, decisões judiciais têm permitido a continuidade da operação, argumentando que a norma municipal não pode se sobrepor à legislação federal que regulamenta o transporte público.
O prefeito tem sido firme em sua posição contrária ao mototáxi. Em janeiro deste ano, chegou a fazer um apelo enfático à população: "Não usem isso pelo amor de Deus. Vai ser uma carnificina", afirmou.
Em nota oficial, a empresa 99 lamentou profundamente o acidente, prestou solidariedade à família de Larissa e afirmou estar oferecendo suporte integral aos envolvidos, incluindo cobertura de seguro e assistência psicológica.
"É com pesar que a 99 recebeu a notícia do acidente envolvendo a passageira Larissa Barros Máximo Torres e um motociclista parceiro. A empresa se solidariza com os familiares e esclarece que está acompanhando de perto o caso e oferecendo suporte integral aos envolvidos – como cobertura pelo seguro, apoio psicológico e auxílio funeral. Além disso, a 99 segue à disposição das autoridades para contribuir com as investigações", diz a nota.