INOVAÇÃO

Alunos da rede pública terão tarefas corrigidas por inteligência artificial

Ferramenta de IA ajudará na correção de 5% das atividades do 8º ano e 1ª série do ensino médio na plataforma TarefaSP

Iniciativa visa oferecer suporte aos professores e melhorar o feedback para alunos, sem substituir o trabalho docente - Imagem: Divulgação / Governo de São Paulo / Marco Ankosqui

William Oliveira Publicado em 20/05/2025, às 09h16

O governo do estado de São Paulo anunciou a implementação de uma ferramenta de inteligência artificial (IA) para auxiliar na correção de lições de casa de alunos da rede pública. O projeto piloto, voltado para estudantes do 8º ano do ensino fundamental e da 1ª série do ensino médio, prevê inicialmente a correção automática de cerca de 5% das atividades registradas na plataforma TarefaSP.

De acordo com a Secretaria da Educação, a iniciativa visa ampliar o acesso dos estudantes à resolução de questões dissertativas e oferecer suporte aos professores, sem que esses sejam substituídos. A proposta é que a IA funcione como uma assistente virtual de correção.

A correção automatizada abrangerá questões dissertativas em diversas disciplinas, como língua portuguesa, matemática, ciências, química, física, geografia e história. Importante destacar que, durante esse período experimental, as avaliações feitas pela IA não afetarão as notas dos alunos.

Lançada em 2023, a plataforma TarefaSP já está em uso a partir do 6º ano do ensino fundamental, permitindo que os estudantes realizem atividades escolares e acompanhem seu desempenho. Com a nova funcionalidade, os alunos passarão a receber feedback quase imediato sobre suas respostas.

“Na redação é sempre revisado. O professor vê o que a inteligência artificial disse sobre a redação do aluno e depois dá a devolutiva. Já na lição de casa, não. Ela vai direto. Porque a gente está testando, é um volume pequeno. São cerca de 5% dos exercícios”, afirmou o secretário estadual da Educação, Renato Feder.

Como funciona a correção por IA:

  1. As questões seguem o conteúdo ministrado em sala de aula;
  2. Após o envio da atividade pelo aluno, a resposta é processada por IA;
  3. A inteligência artificial compara o conteúdo com a solução ideal criada por especialistas da Secretaria da Educação;
  4. A IA classifica a resposta como correta, parcialmente correta ou incorreta e apresenta uma explicação;
  5. O aluno pode avaliar a qualidade do feedback recebido.

Especialistas pedem cautela

Claudia Costin, ex-diretora global de educação do Banco Mundial, ressaltou que a adoção da IA precisa ser criteriosa. Para ela, é essencial que pais e educadores monitorem o impacto da nova ferramenta no processo de aprendizagem.

“É um instrumento. Ele pode ser bem ou mal usado. Os nossos alunos, especialmente de educação básica, vão viver em um mundo em que a inteligência artificial está muito presente. Então, [precisam] aprender a pesquisar por meio de inteligência artificial e facilitar a vida do professor na correção de trabalhos. Se não usar de uma maneira ética, teremos problemas. Educar para valores continua sendo muito importante, especialmente com ferramentas como essa”, alertou Costin.

O governo estadual ainda não definiu uma data para a conclusão do projeto, informando que os testes ocorrerão nos próximos meses para permitir uma avaliação cuidadosa por parte dos educadores e instituições de ensino.

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