Crime Organizado

Além do setor de combustíveis PCC usa padarias de fachada em esquema de lavagem

As padarias e lojas de conveniência associadas ao PCC adotaram práticas de ocultação que dificultam o rastreamento dos proprietários

As padarias e lojas de conveniência associadas ao PCC adotaram práticas de ocultação que dificultam o rastreamento dos proprietários - Imagem: Reprodução / Rovena Rosa / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 01/09/2025, às 18h24

A Operação Carbono Oculto, conduzida na última quinta-feira (28), trouxe à tona um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis. A investigação revelou que a facção criminosa utilizava uma rede composta por pelo menos nove padarias e diversas empresas associadas, todas localizadas na cidade de São Paulo.

De acordo com as investigações, o esquema se estendia para além das padarias, envolvendo lojas de conveniência e a criação de empresas de fachada, com o intuito de ocultar a origem ilícita dos recursos financeiros. A utilização de "laranjas" foi uma estratégia recorrente para disfarçar os verdadeiros proprietários das operações.

As padarias identificadas fazem parte de uma complexa rede de negócios, que também inclui usinas sucroalcooleiras e postos de combustíveis. Segundo o Ministério Público, a Dubai Administração de Bens Ltda. foi apontada como a principal administradora dessa rede, que se destacou entre as maiores do setor em São Paulo.

A empresa foi inicialmente cofundada por Hussein Ali Mourad e Tarik Ahmad Mourad, ambos sob investigação. Atualmente, está registrada em nome de Maria Edenize Gomes, considerada uma "laranja" do grupo criminoso. Junto com outra mulher, Ellen Bianca de Franca Santana Resende, ela é mencionada como testa-de-ferro em várias padarias e postos de combustíveis associados ao esquema.

A investigação detalhou o método utilizado para dificultar o rastreamento do fluxo financeiro e dos reais donos das empresas. Um dos suspeitos, Tharek Majide Bannout, parente de um dos líderes do esquema nos postos, aparece como sócio em várias padarias da rede.

Um padrão peculiar foi observado na nomenclatura das empresas: muitos estabelecimentos possuíam nomes similares, dificultando a identificação dos proprietários reais. Por exemplo, Tharek utilizou denominações como Nova Salamanca e Nova Iracema, enquanto as "laranjas" registraram empresas sob nomes como Salamanca Paes e Doces Ltda e Iracema da Angelica Paes e Doces Ltda., muitas vezes registrando múltiplos CNPJs no mesmo endereço.

Além das padarias, o esquema também se estendia a lojas de conveniência que adotavam práticas semelhantes. O uso de empresas efêmeras e "laranjas" sem comprovação de capacidade econômica era uma constante nas operações investigadas.

As apurações indicam ainda que uma rede de conveniências ligada à irmã de um dos investigados, Amine Hussein Ali Mourad, havia encerrado várias filiais para dar lugar a novas operações vinculadas a redes como a Strawberry Lojas de Conveniências Ltda., esta última conectada ao PCC segundo o MP.

Lista das Padarias Citadas na Investigação

O levantamento das investigações expôs uma série de empresas utilizadas para encobrir os verdadeiros proprietários das padarias envolvidas no esquema:

Administradora da Rede: DUBAI ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA - atualmente registrada em nome de Maria Edenize Gomes.
Padarias ligadas a Tharek Majide Bannout:

Padarias associadas às "laranjas":

A investigação revelou que Ellen Bianca foi substituída por Maria Edenize nos registros societários das padarias, uma prática também observada em empresas ligadas aos postos de combustíveis para criar camadas adicionais de ocultação.

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