Com assaltos frequentes, motoboys da Rua 25 de Março buscam apoio de policiais militares para garantir sua segurança nas entregas
William Oliveira Publicado em 27/10/2025, às 10h54
A Rua da 25 de Março, famosa pelo comércio popular em São Paulo, tem se tornado um verdadeiro campo de batalha para motoboys que transportam mercadorias valiosas, como eletrônicos. A intensa circulação de pessoas transformou a região em alvo de quadrilhas armadas que não hesitam em agir violentamente mesmo em meio à multidão.
No dia 18 de outubro, um motoboy foi ferido na cabeça durante uma tentativa de assalto nas proximidades das ruas Barão de Duprat e Carlos de Souza Nazaré. Um policial militar fora de serviço reagiu e baleou um dos suspeitos. O incidente reforça a percepção de que ataques a entregadores não são eventos isolados: imagens e relatos indicam frequência alarmante desses crimes. Em protesto, motoboys se reuniram no dia 20 de outubro, exigindo medidas concretas para sua segurança.
Os entregadores da 25 de Março e da Rua Santa Ifigênia, próximas entre si, diferem dos motoboys de aplicativos principalmente na remuneração — que pode chegar a R$ 600 por dia — e na natureza das cargas, que incluem produtos eletrônicos como iPhones e notebooks. Algumas entregas envolvem mercadorias avaliadas em até R$ 500 mil, contratadas diretamente pelos lojistas.
Um motoboy da Rua Carlos de Souza Nazaré descreveu a área como uma "boca de dragão", expressão usada para locais com alta criminalidade.
Para lidar com o risco, muitos entregadores recorrem a policiais militares fora de serviço que atuam como escoltas armadas. Embora proibida oficialmente, a prática é tolerada informalmente, especialmente quando ganha visibilidade na mídia. Os custos variam: uma escolta básica entre loja e moto custa entre R$ 30 e R$ 50, um dia inteiro pode ultrapassar R$ 300, e trajetos mais longos podem chegar a R$ 150.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso do dia 18 está sob investigação pela 1ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), com imagens de câmeras de segurança sendo analisadas. A SSP reforça que intensificou operações no centro da cidade para combater o crime organizado e reduzir índices criminais.
Nos últimos 32 meses, foram registradas mais de 18 mil prisões relacionadas a crimes patrimoniais. O número de roubos em geral caiu 19%, enquanto os roubos de carga tiveram uma redução de quase 52% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
A Prefeitura de São Paulo também monitora a região: a Guarda Civil Metropolitana realiza patrulhamento constante, complementado pela Operação Delegada. Atualmente, há 170 vagas diárias para policiais militares, voltadas à fiscalização do comércio irregular. Desde 2020, houve aumento significativo do efetivo da guarda e das vagas para policiamento.
Além disso, a região conta com cerca de 9 mil câmeras integradas ao programa Smart Sampa, parte de um sistema de monitoramento que busca ampliar ainda mais a segurança no centro paulistano.