Durante a cúpula, o presidente americano apontou os cartéis de drogas como principal razão para ampliar a atuação dos EUA na América Latina
Erika Osti Publicado em 07/03/2026, às 19h32
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu neste sábado (7) líderes de diversos países da América Latina e do Caribe para anunciar a criação de uma coalizão regional voltada ao combate ao narcotráfico. O encontro ocorreu em Doral, na Flórida, e reuniu governantes alinhados politicamente ao republicano, que defende uma estratégia mais dura contra os cartéis de drogas e o crime organizado no continente.
Durante a cúpula, batizada de “Escudo das Américas”, Trump afirmou que os cartéis representam uma das maiores ameaças à segurança regional e justificou o aumento do envolvimento dos Estados Unidos na América Latina como uma forma de enfrentar essas organizações. Segundo ele, a nova aliança prevê cooperação entre forças militares e de segurança para localizar e destruir redes criminosas responsáveis pelo tráfico de drogas.
O presidente americano declarou que o objetivo da coalizão é usar todos os meios disponíveis para enfraquecer os cartéis. Em discurso aos participantes, ele afirmou que o acordo inclui a possibilidade de apoio militar direto e de operações conjuntas para combater grupos criminosos que atuam em diferentes países do hemisfério.
A reunião contou com a presença de ao menos uma dúzia de líderes latino-americanos e caribenhos. Entre eles estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o presidente do Equador, Daniel Noboa, além do presidente eleito do Chile, José Antonio Kast. Também participaram governantes da Bolívia, Costa Rica, República Dominicana, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago.
Trump destacou que muitos desses países enfrentam uma escalada da violência ligada ao narcotráfico e ao crime organizado. Em alguns casos, a crise de segurança tem levado governos a adotar políticas mais duras contra gangues e redes criminosas, como ocorre em El Salvador sob o comando de Bukele.
A cúpula acontece em um momento de mudança no cenário político latino-americano, com o fortalecimento de líderes conservadores que defendem maior cooperação com Washington em temas como segurança, migração e economia. Esses governos também têm demonstrado preocupação com o avanço das organizações criminosas na região.
Além do combate ao narcotráfico, o encontro também reflete a estratégia do governo americano de ampliar sua influência no continente diante do crescimento da presença da China na América Latina. Nos últimos anos, Pequim expandiu investimentos em infraestrutura, comércio e financiamento a governos da região, o que tem gerado preocupação em Washington.
Dados de centros de pesquisa apontam que o comércio entre a China e países latino-americanos atingiu recordes recentes e que o país asiático já emprestou mais de US$ 120 bilhões a governos do hemisfério ocidental. A Casa Branca tem pressionado aliados a limitar a participação chinesa em projetos estratégicos, como portos, energia e infraestrutura.
Outro ponto que marcou o discurso de Trump foi a defesa de uma atuação mais direta dos Estados Unidos na região. O governo americano tem intensificado medidas de pressão contra adversários políticos, como a Venezuela e Cuba, além de reforçar parcerias de segurança com aliados.
Apesar da iniciativa, especialistas apontam que a coalizão enfrenta desafios. Entre eles está a ausência de países considerados fundamentais na dinâmica do narcotráfico continental, como México e Brasil. Segundo analistas, essas nações desempenham papéis importantes nas rotas internacionais de drogas e no funcionamento das redes criminosas.
Mesmo assim, o governo americano afirma que mantém cooperação bilateral com vários países da região. No caso do Brasil, autoridades dos EUA destacam a atuação conjunta da agência antidrogas americana com a Polícia Federal em operações que resultaram na apreensão de grandes quantidades de cocaína e bens ligados ao crime organizado.
A nova coalizão marca mais um capítulo da estratégia de Trump de reforçar a influência dos Estados Unidos no hemisfério ocidental, combinando cooperação de segurança com alinhamento político entre governos da região.