Bombardeio em Kiev

Rússia lança maior ataque do ano contra Kiev e deixa ao menos 18 mortos

Ofensiva com mísseis e drones atingiu os 10 distritos da capital ucraniana e feriu dezenas de pessoas, entre elas paramédicos e motoristas de ambulância

Zelensky propõe negociações com Putin, mas Kremlin rejeita a oferta em meio ao aumento da violência - Imagem: Reprodução/Danylo Antoniuk / AP

Letícia Sales Publicado em 02/07/2026, às 08h44

A Rússia promoveu na madrugada desta quinta-feira (2) um bombardeio em grande escala contra Kiev, capital da Ucrânia, combinando mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones. O ataque deixou ao menos 18 mortos e dezenas de feridos, tornando-se a ofensiva mais destrutiva já registrada na cidade neste ano e a mais mortal desde maio, quando 24 pessoas morreram após o desabamento de um prédio residencial atingido por bombardeios.

Descrito pelas autoridades locais como um "furioso ataque inimigo", o bombardeio provocou fortes explosões que sacudiram Kiev por horas e deixaram rastros de destruição nos 10 distritos da cidade, dos dois lados do rio Dnipro.

O serviço de emergência estatal da Ucrânia confirmou pelo menos 17 mortes e informou que dezenas de locais na capital foram danificados, com equipes de resgate ainda em atuação. Já o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, contabilizou pelo menos 34 feridos, incluindo paramédicos e motoristas de ambulâncias atingidos durante os trabalhos de socorro.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que já vinha alertando sobre a possibilidade de um novo bombardeio, precisou encurtar sua visita a Dublin, na Irlanda, onde acompanharia o início do mandato semestral do país na presidência rotativa da União Europeia.

Diante dos primeiros alarmes, moradores da capital carregaram crianças, pertences, barracas e animais de estimação em busca de abrigo nas estações de metrô subterrâneas. Os alertas de ataque aéreo chegaram a cobrir a maior parte do território ucraniano, no que já é apontado como o pior ataque russo ao país desde meados de junho.

"Outra noite terrível para os moradores da cidade, que foram forçados a passá-la em abrigos", escreveu Olha Stefanishyna, embaixadora da Ucrânia nos Estados Unidos, na rede social X.

Prédios atingidos e moradores sob escombros

Os danos estruturais se espalharam por várias áreas residenciais da capital. No distrito de Desnianskyi, um edifício de nove andares foi parcialmente destruído, deixando moradores presos nos escombros. Incêndios atingiram ainda os distritos de Sviatoshynskyi e Darnytskyi, onde equipes seguem trabalhando no resgate de moradores, além de um prédio de vários andares no distrito de Holosiivskyi, cujo telhado pegou fogo.

Chamas também consumiram o topo de um edifício no Boulevard Shevchenko, na região central, e alcançaram áreas próximas a residências no distrito de Pecherskyi, além de um prédio administrativo em Solomianskyi. Os distritos de Obolonskyi e Podilskyi também registraram danos. No distrito de Shevchenkivskyi, cinco pessoas ficaram feridas, entre elas um paramédico que permanece em estado extremamente crítico.

Escalada paralela na guerra

O recrudescimento dos ataques russos contra Kiev acontece em meio ao avanço de uma campanha ucraniana de drones de longo alcance contra instalações militares e de energia em território russo. As investidas ucranianas têm atingido províncias profundas da Rússia, provocando uma crise de combustível no país — o terceiro maior produtor de petróleo do mundo — e obrigando Moscou a importar gasolina de locais distantes, como a Índia.

Nesta quinta-feira, o governador da região de Leningrado, Alexander Drozdenko, afirmou pelo Telegram que as forças russas derrubaram sete drones ucranianos na área, que concentra grandes instalações de refino e exportação de petróleo. Já na região de Belgorod, fronteiriça com a Ucrânia, autoridades locais relataram que um ataque de drone atingiu uma residência, matando um homem e ferindo sua esposa.

Rússia e Ucrânia afirmam não ter civis como alvos deliberados em suas operações. Recentemente, Zelensky chegou a propor a abertura de negociações com o presidente russo, Vladimir Putin, para encerrar a guerra, que já dura mais de quatro anos — mas a proposta foi rejeitada pelo Kremlin.

*Com informações da Reuters e AP.

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