Conversas entre o líder saudita e o presidente dos EUA indicam apoio à continuidade do conflito no Oriente Médio
William Oliveira Publicado em 24/03/2026, às 12h41
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, teria incentivado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a manter a guerra contra o Irã, segundo informações publicadas pelo jornal The New York Times.
De acordo com a reportagem, Salman teria defendido, em conversas telefônicas recentes com Trump, que o atual conflito representa uma “oportunidade histórica” para enfraquecer ou derrubar o regime iraniano e redesenhar o cenário geopolítico no Oriente Médio.
Ainda segundo fontes ouvidas pelo jornal, o líder saudita considera o Irã uma ameaça de longo prazo aos países do Golfo Pérsico e acredita que essa ameaça só seria neutralizada com a queda do atual regime.
A posição se aproxima da defendida pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que também vê o Irã como um risco estratégico. No entanto, há diferenças: enquanto Israel poderia considerar suficiente o enfraquecimento do país, a Arábia Saudita avalia que um Irã instável poderia representar um risco ainda maior à segurança regional.
A reportagem também aponta que Salman teria sugerido a ampliação dos ataques, incluindo possíveis alvos na infraestrutura energética iraniana.
As revelações surgem em meio a declarações de Trump indicando que há negociações em andamento para encerrar o conflito, iniciado no fim de fevereiro.
Em resposta, autoridades sauditas negaram que o país esteja incentivando a continuidade da guerra. Em nota, o governo afirmou que “sempre apoiou uma solução pacífica” e destacou que a prioridade atual é a defesa contra ataques.