Em discurso no Vaticano, pontífice destaca o casamento entre homem e mulher como base para sociedades harmoniosas
William Oliveira Publicado em 16/05/2025, às 13h30
Em um discurso proferido nesta sexta-feira (16), durante um encontro com diplomatas internacionais no Vaticano, o Papa Leão XIV reafirmou a importância do casamento heterossexual como pilar fundamental da estrutura familiar e base para a construção de sociedades harmoniosas.
O novo pontífice, que assumiu o cargo recentemente, afirmou que "é responsabilidade dos governantes trabalhar para construir sociedades civis harmoniosas e pacíficas", destacando que esse objetivo passa principalmente pelo fortalecimento da família constituída pela união estável entre um homem e uma mulher.
Além de abordar o tema familiar, Leão XIV reiterou a posição tradicional da Igreja Católica contrária ao aborto, ao mesmo tempo em que expressou apoio à liberdade religiosa e à promoção do diálogo entre diferentes crenças.
Essa foi a primeira declaração pública de Robert Prevost sobre o casamento desde que se tornou papa. Antes do papado, ele já havia se manifestado contra a união entre pessoas do mesmo sexo, embora não tenha abordado diretamente o tema durante seu discurso atual.
Em comparação, o Papa Francisco havia demonstrado maior abertura ao permitir bênçãos para casais do mesmo sexo e fazer declarações mais acolhedoras à comunidade LGBTQIA+.
Imigração em foco
No mesmo evento, o papa Leão XIV também tratou da imigração. Natural dos Estados Unidos e conhecido por ter feito críticas ao governo de Donald Trump antes de assumir o papado, Prevost defendeu a dignidade dos migrantes.
“Todos nós, ao longo de nossas vidas, podemos nos encontrar saudáveis ou doentes, empregados ou desempregados, vivendo em nossa terra natal ou em um país estrangeiro, mas nossa dignidade permanece sempre inalterada. É a dignidade de uma criatura querida e amada por Deus”, afirmou. A declaração vem em meio ao aumento das ações do governo norte-americano contra imigrantes indocumentados.
A trajetória pessoal do papa — que cresceu em Chicago e trabalhou como missionário no Peru — contribui para sua empatia com migrantes, motivando sua defesa por compaixão e solidariedade com aqueles que buscam melhores condições de vida fora de seus países de origem.
Condenação à guerra
Durante o encontro, Leão XIV também condenou o que classificou como “impulso destrutivo de conquista”, sem citar países diretamente. No entanto, apontou o Oriente Médio e a Ucrânia como regiões onde populações enfrentam grande sofrimento causado por conflitos armados.
Segundo ele, a Igreja Católica continuará a usar “linguagem direta” para denunciar injustiças, mesmo diante dos poderosos. O papa reafirmou ainda a disposição do Vaticano em oferecer mediação para a resolução pacífica de conflitos internacionais.