Irã

O que é a Guarda Revolucionária do Irã e por que ela se tornou alvo de sanções internacionais

Criada após a Revolução Islâmica de 1979, a força de elite é hoje um dos pilares do regime iraniano, com atuação militar, política, econômica e internacional

- Imagem: Reprodução | X (Twitter) - @AFPnews

Marina Milani Publicado em 28/02/2026, às 08h33

A Guarda Revolucionária do Irã, conhecida pela sigla em inglês IRGC, é uma das instituições mais poderosas do Irã. Criada em 1979, após a Revolução Islâmica, sua missão inicial era proteger o novo regime liderado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini contra ameaças internas e externas.

Ao longo das décadas, porém, a organização deixou de ser apenas uma força de segurança paralela e se transformou em um verdadeiro pilar do Estado iraniano — com influência que vai muito além da área militar.

Subordinação direta ao líder supremo

Diferentemente das Forças Armadas convencionais, a Guarda Revolucionária responde diretamente ao líder supremo do país, atualmente o aiatolá Ali Khamenei. Isso a coloca em posição estratégica dentro da estrutura de poder da República Islâmica.

Embora o governo iraniano não divulgue números oficiais, estimativas apontam que a força reúna cerca de 125 mil integrantes. Ela possui divisões próprias de Exército, Marinha e Aeronáutica, além de unidades especiais.

A milícia Basij

Um dos braços mais conhecidos da Guarda Revolucionária é a Basij, milícia paramilitar formada por voluntários. A Basij atua principalmente no controle interno e é frequentemente mobilizada para conter protestos e manifestações contrárias ao regime.

Seus integrantes patrulham bairros, universidades e mesquitas e desempenham papel relevante na repressão a movimentos considerados ameaças ao governo.

Operações no exterior: a Força Quds

A Guarda também mantém uma unidade voltada a operações internacionais, chamada Força Quds. Esse braço é responsável por apoiar grupos e governos alinhados a Teerã no Oriente Médio.

Entre os aliados históricos estão o Hezbollah, no Líbano, o Hamas, na Faixa de Gaza, milícias xiitas no Iraque, além do apoio ao governo sírio durante a guerra civil. Essa rede de alianças é conhecida como “Eixo da Resistência”, em oposição à influência dos Estados Unidos e de Israel na região.

Um império econômico

Além do poder militar, a Guarda Revolucionária construiu ao longo dos anos uma vasta rede de negócios. A organização controla conglomerados que atuam em setores estratégicos da economia iraniana, como:

  • Petróleo e gás

  • Construção de rodovias, represas e metrôs

  • Mineração

  • Indústria farmacêutica

  • Infraestrutura energética

O grupo Khatam-al-Anbia, ligado à IRGC, é um dos principais responsáveis por grandes obras no país. Analistas costumam descrever a instituição como um “Estado dentro do Estado”, dado o seu alcance econômico e político.

Sanções e designação como grupo terrorista

A atuação da Guarda Revolucionária — tanto na repressão interna quanto em conflitos regionais — levou diversos países a classificá-la como organização terrorista.

Os Estados Unidos adotaram essa designação em 2019. Canadá e Austrália seguiram o mesmo caminho nos anos seguintes. Em janeiro de 2026, a União Europeia também incluiu oficialmente a IRGC em sua lista de organizações terroristas, citando a repressão violenta a protestos no Irã como um dos principais motivos.

A decisão amplia sanções financeiras e restrições diplomáticas contra membros e estruturas ligadas à organização.

Papel central no regime

Desde 1979, o Irã é uma república teocrática, na qual o líder supremo detém a autoridade máxima. Nesse sistema, a Guarda Revolucionária funciona como principal instrumento de defesa do regime — tanto no plano interno quanto externo.

Por isso, entender o que é a IRGC ajuda a compreender o funcionamento do poder no Irã e o motivo pelo qual a organização ocupa posição central nas tensões entre Teerã e o Ocidente.

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