Com um passado de duas décadas no Peru, Robert Francis Prevost é criticado por sua demora em encaminhar denúncias ao Vaticano
William Oliveira Publicado em 09/05/2025, às 11h28
Em meio a um contexto conturbado, três mulheres peruanas relataram, em 2023, que Robert Francis Prevost, recém-eleito cardeal e agora líder da Igreja Católica, teria acobertado casos de abuso cometidos por dois padres quando elas ainda eram crianças. Prevost, de 69 anos, teve sua nomeação confirmada na quinta-feira (8).
O novo papa, que adotou o nome de Leão XIV, exercia a função de administrador da diocese de Chiclayo, no Peru, durante o período em que os abusos teriam ocorrido. O Vaticano já abriu uma investigação sobre as denúncias, mas, até o momento, não há conclusão sobre o caso, segundo informações do portal g1.
Nascido em Chicago, Prevost viveu cerca de duas décadas no Peru, onde chegou a obter cidadania. Em 2020, uma das vítimas teria entrado em contato diretamente com ele para relatar os abusos. No entanto, apenas dois anos depois, Prevost encaminhou as denúncias ao Vaticano, o que levantou questionamentos sobre sua conduta diante das acusações.
Entre os padres citados, um foi afastado de suas funções, enquanto o outro já não exercia atividades na Igreja devido a problemas de saúde. A diocese negou qualquer tentativa de encobrimento e afirmou que Prevost seguiu os protocolos estabelecidos pela Santa Sé.
Durante o conclave que escolheu o sucessor do Papa Francisco, Anne Barrett Doyle, diretora da organização Bishop Accountability, que atua na defesa das vítimas, concedeu entrevista no Vaticano criticando alguns dos cardeais cotados para o papado, como Pietro Parolin e Luis Antonio Tagle, devido a seus vínculos com casos passados. Robert Prevost não foi citado nessa ocasião.