Guerra

Lula lamenta morte de jovem brasileiro em prisão israelense e pede investigação

O Itamaraty solicita informações sobre a morte de jovem brasileiro, destacando a violação de direitos humanos em Israel

O Itamaraty solicita informações sobre a morte de jovem brasileiro, destacando a violação de direitos humanos em Israel - Imagem: Reprodução / Marcelo Camargo / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 26/03/2025, às 16h01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), expressou seu pesar na quarta-feira (26), pela morte de Walid Khalid Abdalla Ahmad, um jovem brasileiro de apenas 17 anos, que faleceu enquanto estava detido em uma prisão israelense. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa em Tóquio, ao lado do primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba.

Em sua fala, Lula destacou a urgência da situação no Oriente Médio, afirmando que a comunidade internacional deve responder rapidamente aos recentes acontecimentos na região. "A recente violação do cessar-fogo em Gaza se soma a uma série de afrontas aos direitos humanos", criticou o presidente.

Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a paz, não apenas no Oriente Médio, mas também em outras áreas conflituosas, como a Ucrânia. "Por isso, o Brasil e um grupo de países emergentes formaram um clube pela paz", recordou.

O presidente expressou tristeza ao informar que o jovem Ahmad havia falecido sob circunstâncias ainda pouco esclarecidas em uma prisão israelense. "Estamos analisando com grande seriedade o fim do cessar-fogo na Faixa de Gaza, onde muitas vidas foram perdidas e, esta semana, lamentamos a morte de um brasileiro detido em Israel", enfatizou.

A morte de Ahmad ocorreu em condições que geraram preocupações suficientes para que o Itamaraty solicitasse informações detalhadas sobre o incidente. O adolescente estava encarcerado na prisão de Megido, localizada no norte de Israel, desde 30 de setembro de 2024, quando ainda residia na Cisjordânia.

A instalação penitenciária onde Ahmad foi mantido é descrita por palestinos como um "campo de concentração", conhecido por relatos de torturas, incluindo choques elétricos e privação alimentar.

O Itamaraty, por meio de nota oficial, ressaltou que o governo israelense deve realizar uma investigação rápida e independente sobre as causas da morte do jovem e divulgar os resultados dessa apuração.

A nota ainda mencionou que existem atualmente 11 brasileiros presos em Israel, caracterizando essa situação como uma "clara violação do Direito Internacional Humanitário". Segundo informações da diplomacia brasileira, a maioria desses indivíduos não foi formalmente acusada ou julgada pelos crimes alegados.

Críticas ao Extremismo

No mesmo dia da coletiva, Lula aproveitou para criticar a atuação da extrema-direita mundial. Este tema já havia sido abordado em um discurso anterior durante um fórum empresarial, onde fez duras críticas às políticas negacionistas do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à guerra comercial imposta pelos norte-americanos.

"Concordamos que a sustentabilidade, a paz e a democracia são fundamentais para o futuro do planeta. O extremismo, o discurso do ódio e as fake news minam as instituições e alimentam a intolerância", afirmou Lula na coletiva.

O presidente também ressaltou as dificuldades políticas e econômicas enfrentadas globalmente. Ele comentou sobre o descumprimento de protocolos como o de Kyoto e os acordos firmados em Paris, além da desistência de alguns países em continuar com essas iniciativas cruciais para a sustentabilidade planetária.

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