A Unifil classifica ataque como violação séria, enquanto Israel alega erro devido a condições climáticas desfavoráveis
Gabriela Thier Publicado em 16/11/2025, às 19h46
No último domingo, forças militares de Israel dispararam contra membros da missão de paz das Nações Unidas no sul do Líbano, em um episódio que a Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano) qualificou como uma grave violação.
Felizmente, nenhum integrante da força de paz ficou ferido durante o incidente. Segundo informações divulgadas pelos militares israelenses, os soldados abriram fogo contra dois indivíduos suspeitos na região de El Hamames, próxima à fronteira com Israel, sem perceber que se tratava de soldados da ONU.
A alegação dos militares israelenses aponta para uma confusão causada por condições climáticas desfavoráveis que dificultaram a identificação correta dos alvos. O caso está sendo investigado conforme o comunicado oficial.
A Unifil revelou que os disparos foram realizados a partir de um tanque Merkava localizado dentro do território libanês, atingindo uma área a apenas cinco metros dos soldados da ONU, que se viram obrigados a buscar abrigo. Após contato estabelecido entre os membros da força de paz e as autoridades militares israelenses através de canais formais, o tanque se retirou da área.
A missão de paz da ONU considerou o ocorrido uma violação séria da Resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Essa resolução proíbe a presença de qualquer força armada no sul do Líbano, exceto as tropas da Unifil e as forças armadas libanesas.
As Forças Armadas Libanesas também se manifestaram, afirmando que as contínuas violações por parte de Israel de sua soberania contribuem para a instabilidade na região e impedem que suas tropas se posicionem adequadamente no sul do país.
Atualmente, Israel mantém cinco postos militares no Líbano e realiza frequentes ataques aéreos na região sul, alegando que essas operações têm como alvo o grupo militante Hezbollah, apoiado pelo Irã. A tensão permanece alta após um cessar-fogo firmado no ano passado entre Israel e Hezbollah, que estipulou que o grupo militante não deveria possuir armas no sul do Líbano e que as forças israelenses deveriam se retirar completamente do território libanês.
Enquanto isso, Israel continua a acusar o Hezbollah de tentar rearmar-se, enquanto o governo libanês denuncia Israel por não cumprir o acordo ao manter sua presença militar e realizar ataques aéreos.