Em meio à guerra, Teerã estuda taxa para embarcações que utilizam uma das rotas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
Redação Publicado em 19/03/2026, às 14h14
O Irã está considerando a implementação de taxas para embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz, uma das rotas mais estratégicas para o comércio global de petróleo e gás. A proposta, que está sendo analisada pelo Congresso iraniano, visa cobrar pedágios de países que utilizam a via para transporte marítimo de energia e alimentos.
O Estreito de Ormuz, que conecta o Golfo Pérsico ao Mar Arábico, é responsável por aproximadamente 20% do petróleo global, tornando-se uma passagem vital para o mercado de energia mundial. Desde o início do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irã, Teerã tem usado sua posição estratégica para interromper o tráfego de embarcações associadas aos seus adversários, como forma de pressionar economicamente os países ocidentais.
O parlamentar iraniano que revelou a proposta afirmou que, ao implementar o pedágio, o país pode gerar receitas significativas, além de aumentar o controle sobre as rotas marítimas. Segundo ele, o projeto de lei está sendo analisado pelo Congresso iraniano e pode entrar em vigor assim que o regime para o Estreito de Ormuz for revisado, após o fim do conflito.
Em uma declaração à Iranian Students' News Agency, o parlamentar revelou que a medida poderia ser uma resposta estratégica contra as sanções impostas ao Irã, permitindo que o país imponha restrições ao tráfego de navios de países que apoiam o bloqueio e as sanções ocidentais. A proposta gerou debates sobre como isso poderia afetar o comércio global de petróleo e os preços da energia no futuro.
Além disso, Mohammad Mokhber, assessor do líder supremo do Irã, afirmou que um "novo regime para o Estreito de Ormuz" seria implantado, dando a Teerã o poder de sancionar economicamente o Ocidente e, ao mesmo tempo, manter a posição dominante na região.
O impacto global do Estreito de Ormuz
A importância estratégica do Estreito de Ormuz é inegável. Com mais de 20% do petróleo global transacionado por ali, a área tem sido um ponto de tensão e disputa geopolítica ao longo dos anos. Qualquer tentativa de controle mais rigoroso por parte do Irã pode ter repercussões significativas, afetando o preço do petróleo no mercado global e intensificando ainda mais as tensões entre as potências ocidentais e o regime iraniano.
Reações internacionais
O governo dos EUA, liderado por Donald Trump, já se manifestou sobre o controle do estreito, alegando que os Estados Unidos não precisam da ajuda de outros países para reabrir o Estreito de Ormuz, caso o Irã tome medidas mais restritivas. O confronto entre as nações tem gerado incertezas no comércio global, com os países produtores de petróleo temendo que a guerra no Oriente Médio prejudique ainda mais o fornecimento de energia.