Em meio a ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel, diplomata divulga nota do governo iraniano que acusa violação da soberania do país e anuncia resposta militar
Lívia Gennari Publicado em 28/02/2026, às 09h20
O embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam Ghadiri, criticou severamente neste sábado (28), o ataque coordenado por Estados Unidos e Israel contra alvos em território iraniano. Em publicação na rede X, o diplomata afirmou que o país “levará todos os inimigos ao arrependimento” e compartilhou a íntegra de uma nota oficial do Ministério das Relações Exteriores de Teerã.
O comunicado, divulgado em meio ao mês sagrado do Ramadã e às vésperas das celebrações do Nowruz, acusa os dois países de conduzirem uma “agressão criminosa” contra o Irã. A chancelaria iraniana afirma que instalações civis e estruturas de defesa foram atingidas em diferentes regiões do país, configurando, segundo o governo, uma violação da integridade territorial iraniana.
A nota também menciona que a ofensiva ocorreu enquanto havia, segundo Teerã, um processo diplomático em curso com Washington. Mesmo avaliando que novos ataques eram possíveis, o Irã diz ter insistido em negociações para “demonstrar à comunidade internacional” que não buscava uma escalada militar.
O documento reforça que, diante da ofensiva, o país se considera no direito de reagir. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os bombardeios violam a Carta das Organização das Nações Unidas — especificamente o Artigo 2, parágrafo 4 — e caracterizam agressão armada, permitindo resposta nos termos do Artigo 51. O Irã cobra ainda que o Conselho de Segurança cumpra “com urgência” suas responsabilidades frente ao que classifica como ameaça à segurança internacional.
A chancelaria também pede condenação ampla por parte dos países membros da ONU, incluindo nações islâmicas e integrantes do Movimento dos Não Alinhados, argumentando que a ofensiva representa um risco sem precedentes à estabilidade regional.
O endurecimento das declarações ocorre após semanas de ameaças do presidente norte-americano Donald Trump, que havia sinalizado a possibilidade de uma operação militar de grandes proporções contra o país persa.
Após a divulgação da nota, Teerã anunciou ter iniciado sua resposta militar. Autoridades iranianas afirmaram que mísseis foram lançados contra alvos em território israelense e que bases com presença de tropas americanas na região também teriam sido atingidas.
O episódio eleva ainda mais a tensão no Oriente Médio e desperta preocupação internacional sobre o risco de um confronto ainda mais amplo, em um momento já marcado por instabilidade e disputas geopolíticas intensas.