Mais de 17 mil hectares já foram devastados neste fim de semana, enquanto temperaturas voltam a bater 40°C no continente
Letícia Sales Publicado em 06/07/2026, às 09h11
Centenas de bombeiros enfrentam neste domingo (05/07) incêndios florestais que se espalham por França, Espanha e Portugal, à medida que uma nova onda de calor volta a elevar as temperaturas na Europa. O continente já soma pelo menos 4,7 mil mortos neste ano em decorrência do calor extremo, fenômeno amplamente associado pelos especialistas às mudanças climáticas.
Os incêndios mais recentes consumiram mais de 17 mil hectares de vegetação nos três países — uma área equivalente a 17 mil campos de futebol —, com previsão de que o termômetro ultrapasse os 40°C ao longo do fim de semana.
Temporada adiantada na França
Na França, o ministro do Interior, Laurent Nunez, já demonstrou preocupação com o fato de a temporada de incêndios florestais de verão ter começado um mês antes do habitual. Quase 600 bombeiros foram mobilizados para conter um incêndio que já queimou mais de 1 mil hectares em uma encosta montanhosa em Trevillach, próxima à fronteira espanhola. Estradas da região foram fechadas, e prefeitos receberam ordem para abrir abrigos de emergência destinados a moradores que precisem deixar suas casas.
Outros 300 bombeiros combatem um segundo foco em área montanhosa no departamento de Drôme, no sudeste do país, perto da fronteira com a Itália.
Espanha registra suspeito detido
Na Espanha, um incêndio próximo à Costa Brava já destruiu mais de 2,2 mil hectares em apenas dois dias. Equipes que atuaram durante toda a noite afirmaram que a operação de domingo seria dificultada pelo calor crescente e pela quantidade de focos ativos dentro do perímetro atingido.
O presidente do governo regional da Catalunha, Salvador Illa, informou que um homem foi detido em conexão com o incêndio, que atingiu de forma severa a área natural protegida de Gavarres, situada entre Barcelona e a fronteira francesa.
Portugal pede reforço internacional
No norte de Portugal, os serviços de emergência já controlam 80% de um incêndio que destruiu cerca de 13 mil hectares de floresta e vegetação. Segundo o responsável pela proteção civil local, José Costa, as chamas avançaram por 35 quilômetros desde o início do foco, na quinta-feira, mobilizando 1,2 mil bombeiros no combate.
Diante da gravidade da situação, Portugal solicitou apoio internacional. Espanha e Itália enviaram reforços e aviões para o combate às chamas, que já deixaram nove pessoas feridas por queimaduras.
Alerta se espalha pela região
Diversas regiões de Portugal, Espanha e do sul da França elevaram os níveis de alerta para calor extremo neste domingo, com a expectativa de que a onda avance para o norte a partir de segunda-feira. Segundo meteorologistas, o fenômeno pode se estender até o próximo fim de semana.
"A mudança climática já está aqui, estamos vivendo as consequências e ainda é apenas o começo de julho", afirmou o coronel do serviço de bombeiros francês Eric Belgioino, ao pedir que moradores próximos às áreas atingidas redobrem os cuidados para evitar novos focos. "A temporada será longa para os bombeiros que lutam contra os incêndios. Vocês precisam nos ajudar."
De acordo com o grupo científico World Weather Attribution, as ondas de calor que atingiram a Europa Ocidental em maio e junho deste ano seriam "virtualmente impossíveis" sem a influência das mudanças climáticas — um cenário que mantém autoridades de diversos países em alerta para os próximos meses.
Incêndio também atinge a Grécia
Em paralelo, um incêndio florestal de rápida propagação teve início na noite de sábado nos arredores de Tessalônica, segunda maior cidade da Grécia. Moradores de três pequenos subúrbios foram orientados a deixar suas casas.
Embora as residências da região tenham sido preservadas, diversas empresas sofreram danos. Uma instalação que abrigava 157 pessoas com necessidades especiais também precisou ser evacuada: cerca de 120 delas, com capacidade de locomoção, foram levadas para um ginásio, enquanto as demais foram transferidas para um hospital psiquiátrico, segundo autoridades locais.
Por Deutsche Welle