Projeto prevê criação de microestado soberano em Tirana para a ordem Bektashi, com estrutura semelhante ao Vaticano e foco em liderança espiritual.
Redação Publicado em 17/03/2026, às 11h42
A Albânia estuda a criação de um novo país dentro de seu próprio território, em um projeto que pode resultar no menor Estado soberano do mundo, superando até o Vaticano em tamanho reduzido.
A proposta foi anunciada pelo primeiro-ministro Edi Rama e prevê a criação de um microestado na capital Tirana, destinado à Ordem Bektashi, uma corrente islâmica de tradição sufista conhecida por sua abordagem mais moderada e flexível da religião.
O projeto, divulgado inicialmente em 2024, segue em fase de elaboração legislativa em 2026 e ainda não foi votado pelo Parlamento, mantendo-se como um tema sensível no cenário político do país.
Um “Vaticano muçulmano”
A ideia é criar um enclave soberano com características semelhantes às do Vaticano: território próprio, administração independente, emissão de passaportes e reconhecimento internacional.
A área prevista teria cerca de 100 mil metros quadrados, equivalente a poucos quarteirões urbanos, o que faria do novo país o menor do mundo.
Segundo o governo, o espaço funcionaria como um centro espiritual global, sem estruturas tradicionais de Estado, como exército, polícia ou sistema tributário.
“Será um Estado espiritual, sem muros e sem as características clássicas de um país”, afirmou Rama ao defender a proposta.
Liberdade e mensagem política
A iniciativa também carrega um componente simbólico. O governo albanês afirma que o projeto busca reforçar a imagem de um islamismo moderado e tolerante, em contraposição a estigmas associados ao extremismo.
De acordo com o plano, o futuro microestado permitiria práticas como consumo de álcool e liberdade de vestimenta, incluindo para mulheres, além de não impor regras rígidas de comportamento.
A liderança ficaria a cargo de Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi, líder da ordem Bektashi, que defende uma abordagem espiritual baseada na liberdade individual.
Resistência e críticas
Apesar da proposta inovadora, o projeto enfrenta resistência dentro da própria Albânia.
A Comunidade Muçulmana da Albânia criticou a iniciativa e afirmou que não foi consultada, classificando a ideia como um possível precedente perigoso.
Especialistas também levantam preocupações sobre os impactos políticos e sociais da criação de um novo Estado religioso dentro do país.
Analistas apontam que a medida pode alterar o equilíbrio entre religião e Estado e gerar interpretações internacionais sobre a identidade do país.
Futuro incerto
Até o momento, o projeto segue sem votação e depende de aprovação legislativa para avançar.
Se aprovado, poderá criar um modelo inédito de microestado contemporâneo, com forte caráter simbólico e religioso, dentro do território europeu.