Presidente dos Estados Unidos diz que solicitou apenas uma reavaliação do lance, nega interferência na decisão da entidade e vê críticas crescerem após atacante ser liberado para enfrentar a Bélgica
Julio Cezar Souza Publicado em 06/07/2026, às 12h26 - Atualizado às 12h37
Donald Trump confirmou nesta segunda-feira (6) que pediu ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, uma reavaliação da expulsão do atacante Folarin Balogun durante a Copa do Mundo de 2026. A declaração foi feita no Salão Oval da Casa Branca, um dia após a entidade suspender a punição automática aplicada ao jogador, permitindo sua participação nas oitavas de final diante da Bélgica.
Segundo Trump, sua atuação limitou-se a solicitar que o lance fosse revisto, por entender que a decisão da arbitragem foi equivocada.
"Eu apenas pedi uma revisão porque não achei que aquilo foi uma falta", afirmou o presidente americano.
Balogun havia sido expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia e Herzegovina após atingir o defensor Tarik Muharemovic com as travas da chuteira. Pelo regulamento da competição, o cartão vermelho resultaria em suspensão automática para a partida seguinte.
No entanto, a Fifa optou por suspender a punição em caráter probatório por um ano, tornando o atacante apto a disputar o confronto eliminatório contra os belgas.
Durante a conversa com jornalistas, Trump afirmou que enxergou o lance como uma disputa normal entre dois jogadores em velocidade e criticou duramente a atuação da arbitragem.
"Eu vi o lance. Não foi falta. Eram apenas dois jogadores correndo em alta velocidade que acabaram se chocando", declarou.
O presidente também revelou que, inicialmente, sequer conhecia o significado da punição aplicada ao atacante.
"Eu não sabia que diabos era um cartão vermelho", disse.
Apesar das críticas ao árbitro, Trump negou qualquer tipo de interferência sobre a decisão da Fifa e afirmou que apenas levou sua opinião à entidade.
"Eu não disse a eles o que fazer. Eu não posso dizer a eles o que fazer", ressaltou.
Na avaliação do presidente americano, impedir a participação de Balogun em uma partida eliminatória seria uma punição excessiva para um dos principais jogadores da seleção dos Estados Unidos.
"Acho que a Fifa tomou uma decisão realmente brilhante. Era injusto tirar um dos melhores jogadores dos Estados Unidos", afirmou.
Bélgica contesta decisão e Fifa rejeita recurso
A decisão da Fifa provocou reação imediata da Federação Belga de Futebol, que tentou obter acesso ao documento que fundamentou a liberação de Balogun antes do confronto entre as duas seleções.
Segundo a Real Associação Belga de Futebol (RBFA), a entidade solicitou oficialmente uma cópia da decisão, mas teve o pedido rejeitado pela própria Fifa, que considerou a contestação inadmissível.
Em comunicado, a federação afirmou que não recebeu qualquer fundamentação da entidade máxima do futebol e alegou que teve poucas horas para agir.
De acordo com a RBFA, o regulamento da própria Fifa estabelece que uma decisão fundamentada deve ser comunicada antes que qualquer recurso possa ser formalizado.
A entidade belga também criticou o fato de a Fifa ter retirado, durante uma reunião técnica realizada antes da partida, a referência à suspensão automática por cartão vermelho sem apresentar explicações, mesmo após solicitações formais feitas pela federação.
A controvérsia ganhou repercussão internacional e passou a ser alvo de críticas de dirigentes, federações nacionais e treinadores europeus, além do ex-presidente da Fifa, Sepp Blatter, que questionaram a possibilidade de influência política em uma decisão disciplinar da competição.