Sete réus foram absolvidos pela Justiça do Rio de Janeiro no caso do incêndio do Ninho do Urubu, tragédia que em 2019 matou dez jovens atletas do Rubro Negro e deixou três feridos
William Oliveira Publicado em 22/10/2025, às 13h22
A Justiça do Estado do Rio de Janeiro absolveu os sete indivíduos acusados de envolvimento no incêndio que resultou na morte de dez jovens atletas e deixou três feridos no Centro de Treinamento do Flamengo, conhecido como Ninho do Urubu, ocorrido em fevereiro de 2019.
O juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal da Comarca da Capital, considerou a denúncia do Ministério Público (MP) improcedente e determinou o arquivamento do processo, que tramitava desde janeiro de 2021. A decisão ainda cabe recurso.
Segundo o magistrado, não foram apresentadas provas suficientes para comprovar as alegações de incêndio culposo e lesão corporal grave. Ele destacou que “a cadeia causal apresenta natureza difusa, envolvendo múltiplos fatores técnicos e estruturais, o que inviabiliza a individualização de conduta culposa com relevância penal”.
O incêndio ocorreu enquanto 26 jogadores das categorias de base dormiam nos alojamentos construídos em contêineres. As investigações apontaram a suspeita de um curto-circuito em um ar-condicionado que estava ligado continuamente. As características das estruturas facilitaram a propagação das chamas, e o centro de treinamento não possuía alvará para funcionamento.
As vítimas foram:
Após o incêndio, o Flamengo firmou acordos de indenização com as famílias das vítimas. Entre eles, destaca-se o caso de Christian Esmério, goleiro de 15 anos, cuja família recebeu compensação em fevereiro de 2025, encerrando os acordos individuais das dez vítimas fatais.
Os réus absolvidos são:
O juiz explicou que cada réu exercia funções distintas e que suas atribuições não incluíam a expertise necessária para as manutenções técnicas dos contêineres.
“Antônio não é engenheiro, arquiteto ou técnico eletricista (...). As questões atinentes às manutenções técnicas passavam ao largo tanto das suas atribuições quanto da expertise exigida pelo cargo”, afirmou.
Durante o processo, iniciado em agosto de 2023, foram ouvidas 45 testemunhas. O ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, foi retirado da lista de réus em fevereiro de 2025 após o reconhecimento pelo MP da prescrição da pena devido à sua idade.