Redes sociais

Skincare infantil explode nas redes e levanta alerta entre médicos

Tendência impulsionada por influenciadores levanta debate sobre saúde e pressão estética

Marcas de cosméticos estão lançando linhas específicas para crianças, refletindo o crescimento do mercado de skincare infantil - Imagem: Reprodução/thehustle.co

Gabriela Nogueira Publicado em 07/01/2026, às 17h15

Entre vídeos curtos, embalagens coloridas e rotinas de beleza que viralizam nas redes sociais, o universo do skincare deixou de ser exclusivo dos adultos e passou a ocupar espaço cada vez maior na infância. Impulsionadas principalmente por conteúdos do TikTok e pelo fenômeno conhecido como sephorakids, crianças e pré-adolescentes estão entrando cedo no consumo de séruns, tônicos e máscaras faciais, um movimento que vem redesenhando o mercado de cosméticos e acendendo o alerta entre pais e dermatologistas.

O crescimento desse público não passou despercebido pelas marcas. Empresas tradicionais e startups passaram a lançar linhas específicas para crianças, com fórmulas mais suaves, linguagem lúdica e apelos ligados ao cuidado e à autoestima. O mercado global de cosméticos infantis já movimenta cerca de US$ 1,6 bilhão e segue em expansão, puxado por essa nova geração de consumidores conectados desde cedo às tendências digitais.

Nos Estados Unidos, dados do varejo indicam que o número de clientes entre 9 e 12 anos dobrou nos últimos anos em grandes redes de beleza. A influência das redes sociais tem papel central nesse avanço. Estudos apontam que crianças começam a se interessar por produtos de cuidados com a pele por volta dos 8 anos, bem antes do que ocorria com gerações anteriores. Nos feeds, meninas reproduzem vídeos de “arrume-se comigo”, imitam influenciadoras adultas e exibem rotinas completas de beleza como parte da brincadeira e da construção de identidade.

De olho nesse comportamento, marcas como Evereden, Bubble, Rini e outras passaram a disputar espaço com propostas voltadas a esse público. Algumas nasceram focadas em bebês e migraram para pré-adolescentes, outras surgiram já conectadas ao universo digital, com lançamentos que esgotam rapidamente após divulgação nas redes. Embora esses produtos sejam mais caros do que cosméticos infantis tradicionais, ainda custam menos do que marcas adultas populares entre crianças, o que amplia seu alcance.

O avanço, porém, não acontece sem resistência. Especialistas em dermatologia afirmam que, do ponto de vista médico, a maioria desses produtos é desnecessária. A pele infantil tende a ser mais sensível e, em muitos casos, não precisa de ativos além de limpeza básica e hidratação. O uso excessivo pode provocar irritações, alergias e alterar a barreira natural da pele.

Há também uma preocupação que vai além da saúde física. Psicólogos e educadores apontam que a exposição precoce a padrões estéticos reforçados pelas redes sociais pode impactar a autoestima e a relação das crianças com o próprio corpo. A ideia de que é preciso cuidar da aparência desde cedo, seguir rotinas complexas e consumir produtos caros levanta debates sobre pressão estética, comparação constante e amadurecimento antecipado.

Mesmo diante das críticas, as marcas defendem que estão oferecendo alternativas mais seguras para um interesse que já existe. Argumentam que, se as crianças demonstram curiosidade por produtos adultos, o melhor caminho é disponibilizar opções pensadas para elas. 

Enquanto isso, a prateleira do skincare infantil continua crescendo, refletindo uma infância cada vez mais atravessada pelas redes sociais e pelos padrões de beleza que elas ajudam a construir.

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