Maria Augusta, que recebeu o coração de Eloá, viveu 13 anos com o órgão e deixou uma história inspiradora
Marina Milani Publicado em 13/11/2025, às 09h58
O lançamento do documentário “Caso Eloá: Refém ao Vivo”, da Netflix, trouxe novamente aos holofotes um dos crimes mais marcantes do país. Eloá Pimentel, morta aos 15 anos em 2008, após ser mantida refém e assassinada pelo ex-namorado Lindemberg Alves, teve seus órgãos doados — um gesto que salvou cinco vidas.
Entre os receptores estava Maria Augusta da Silva dos Anjos, vendedora que recebeu o coração de Eloá no dia 20 de outubro de 2008, data em que completava aniversário. Na época, ela descreveu o transplante como um “milagre da vida”.
“Meu médico ligou e disse: ‘Vem para o hospital, acho que você vai ganhar o coração daquela moça, a Eloá’. Eu já conhecia o caso pela TV. Fiquei internada dez dias até o transplante”, contou Augusta em entrevista ao g1 em 2018, quando o crime completou uma década.
Maria Augusta viveu 13 anos com o coração da jovem e morreu aos 51 anos, em maio de 2021, vítima da Covid-19, em um hospital particular de Parauapebas (PA).
A mãe de Eloá, Ana Cristina Pimentel, lamentou a morte da receptora e afirmou que mantinha com ela uma ligação especial:
“Torci muito pela recuperação da Augusta. Ela era como uma filha para mim, pois carregava o coração da minha Eloá.”
Além do coração, a família da jovem doou também pulmões, córneas, fígado, rins e pâncreas, transformando uma tragédia em gesto de solidariedade e esperança.