Luto no Samba

Gilsinho, intérprete da Portela, é velado no Rio de Janeiro

Cantor, compositor e multi-instrumentista morreu aos 55 anos; artista integrava a escola desde 2006 e também defendeu a Tom Maior

Cantor e compositor Gilsinho faleceu em decorrência de complicações de saúde, deixando um legado significativo para o samba - Imagem: Reprodução/Rafael Nascimento/G1 Rio

Gabriela Nogueira Publicado em 01/10/2025, às 17h34

O cantor e compositor Gilsinho, conhecido por seu trabalho na escola de samba Portela, faleceu na última terça-feira (30), aos 55 anos. O artista, que era parte integrante da agremiação desde 2006, deixou um legado significativo para o samba e seus admiradores.

O velório de Gilsinho ocorreu na quadra da Portela, localizada em Madureira, Zona Norte do Rio de Janeiro, durante a manhã de quarta-feira (1º). O sepultamento está agendado para as 17h no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap. O caixão foi adornado com a bandeira azul e branca da escola, uma das mais tradicionais do carnaval carioca. O prefeito Eduardo Paes, que também é torcedor da Portela, compareceu ao velório para prestar suas últimas homenagens ao cantor.

"A perda é significativa e ocorre de forma inesperada. Isso sempre provoca uma dor maior quando se trata de alguém jovem. Esperamos que o legado e os ensinamentos deixados por Gilsinho perdurem. O carnaval do Rio amanheceu mais triste hoje, especialmente para a Portela, onde ele construiu sua carreira e interpretou sambas ao longo dos anos", declarou o prefeito.

O presidente da Portela, Júnior Escafura, enfatizou a importância do intérprete e anunciou que a escola fará uma homenagem especial a Gilsinho no próximo desfile: "No próximo ano, a Portela desfilará em tributo a ele. Isso representará nossa maior homenagem. Gilsinho deixa um legado imenso e seu famoso grito de guerra será eternamente lembrado".

A vice-presidente da Portela, Nilce Fran, também expressou sua tristeza ao comentar sobre as escolhas musicais adaptadas à voz de Gilsinho: "Era desafiador substituí-lo. Cada samba escolhido era pensado para realçar sua voz inigualável".

Coroas de várias escolas de samba foram enviadas em sinal de respeito. A Tom Maior, escola de São Paulo onde Gilsinho também atuava como intérprete, fez uma declaração emocionada sobre a perda: "Ele era como um irmão para nós. Sua presença iluminava a Portela e tocava o coração das pessoas com sua arte".

De acordo com informações divulgadas pela escola, Gilsinho faleceu em decorrência de complicações relacionadas a uma cirurgia bariátrica realizada recentemente. Ele havia recebido alta no último sábado (27) e enfrentou problemas de saúde a partir de segunda-feira.

Gilsinho era uma figura querida no mundo do samba. Filho de Jorge do Violão, um dos membros da Velha Guarda da Portela entre os anos 70 e 80 e afilhado do renomado compositor Casquinha, sua trajetória musical foi marcada por interpretações memoráveis que emocionaram o público.

Neste ano, durante o desfile que homenageou Milton Nascimento, Gilsinho encantou com sua interpretação de "Maria Maria". Seu grito de guerra "Vai na Ginga, Portela!" se tornou um símbolo para os foliões.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) também se manifestou lamentando a perda: "Recebemos com grande tristeza a notícia do falecimento de Gilson da Conceição. Sua trajetória ficará eternizada na história do samba e na memória da Avenida".

A Portela anunciou um luto oficial de três dias em honra ao cantor: "Gilsinho emocionou gerações e marcou profundamente o Carnaval do Brasil. Sua voz será sempre lembrada como a alma portelense". A mensagem enfatiza o impacto que ele teve na cultura carioca e na tradição do samba.

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