Intolerância Religiosa

Gilberto Gil aciona Justiça contra padre que zombou de oração por Preta Gil

Músico pede indenização de R$ 370 mil após religioso debochar de prece aos orixás e atacar religiões afro-brasileiras

Preta Gil, que faleceu em julho, sempre valorizou sua espiritualidade, e suas últimas celebrações religiosas foram marcadas por homenagens e luto - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 14/10/2025, às 13h20

O padre Danilo César, da Paróquia São José, em Areial (PB), enfrenta críticas e uma ação judicial após debochar de uma oração feita por Gilberto Gil em favor da filha, Preta Gil, que faleceu em julho deste ano em decorrência de um câncer.

O músico decidiu ingressar na Justiça contra o religioso, pedindo indenização de R$ 370 mil por danos morais, após declarações consideradas ofensivas e marcadas por intolerância religiosa. A advogada Layanna Piau, que representa o artista, informou que a ação será formalizada nesta terça-feira (14) na Justiça do Rio de Janeiro.

Durante uma homilia no dia 27 de julho, o padre ironizou a fé do cantor ao questionar: “Gilberto Gil fez uma oração aos orixás, cadê o poder desses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?” As falas viralizaram nas redes sociais, gerando forte reação de fãs, artistas e defensores da liberdade religiosa.

Em outro momento do sermão, o sacerdote fez declarações ainda mais duras sobre práticas de religiões afro-brasileiras: “Tem gente católica que pede a essas coisas ocultas. Eu só queria que o diabo viesse e levasse. O dia que ele levar e no outro você já acordar lá, com o calor do inferno, você não sabe o que é que vai fazer.”

A família Gil considerou as falas como intolerância religiosa e racismo religioso. Um mês antes da ação, ele havia enviado uma notificação extrajudicial à Diocese de Campina Grande e ao padre, solicitando retratação pública — o que não ocorreu. O documento destacava o “enorme desrespeito” do sacerdote em um momento de luto e reforçava que as declarações violam direitos fundamentais de liberdade religiosa garantidos pela Constituição.

Sem resposta após o prazo de 15 dias, o artista decidiu levar o caso aos tribunais.

A espiritualidade sempre teve papel central na vida de Preta Gil, que via na fé uma fonte de força durante o tratamento. Ela morreu no dia 20 de julho, aos 50 anos, vítima de câncer no intestino. Pouco antes, havia celebrado uma missa de agradecimento na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Salvador, espaço que desde então realiza celebrações mensais em sua homenagem.

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