Crise

Do púlpito ao tribunal: por que a crise entre pastores da Lagoinha virou caso milionário?

Conflito entre André Valadão e Fernandes abre disputa judicial e causa mal-estar entre fiéis

Fiéis observam perplexos a batalha judicial e religiosa que pode redefinir o futuro da Igreja da Lagoinha e sua estrutura organizacional - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 05/12/2025, às 17h45

A crise interna na Igreja da Lagoinha atingiu um novo patamar após um racha entre o líder nacional da denominação, André Valadão, e o pastor André Fernandes, responsável por comandar durante sete anos a unidade de Alphaville, uma das regiões mais nobres de São Paulo. O conflito, que começou de forma silenciosa, tornou-se público depois de uma série de acusações envolvendo dívidas milionárias, suposto uso indevido de recursos e práticas comerciais dentro do templo.

Documentos e relatos obtidos pela reportagem apontam que a unidade de Alphaville acumula ao menos R$ 1,3 milhão em débitos referentes a serviços prestados. Segundo a liderança da Lagoinha, Fernandes teria contribuído diretamente para o rombo financeiro ao adotar uma gestão marcada por gastos elevados e pela exploração comercial de atividades ligadas à igreja.

Durante o período em que esteve à frente do púlpito, Fernandes transformou a unidade em um ponto de encontro de subcelebridades e influenciadores. A popularização da casa de culto ocorreu após a criação de uma área VIP, destinada a fiéis famosos. Entre os frequentadores estavam nomes como Viih Tube, Eliezer, Maíra Cardi e Thiago Nigro. De acordo com a Lagoinha, o acesso ao espaço privilegiado era vendido, e fiéis comuns só poderiam entrar após realizar um curso oferecido por uma empresa do próprio Fernandes.

Outras práticas também chamaram atenção. A venda de kits de batismo, que chegavam a custar R$ 80, e a comercialização de pipoca na entrada da igreja geravam lucro, segundo a família Valadão, não para a unidade religiosa, mas para empresas ligadas ao pastor.

O rompimento definitivo ocorreu após a compra de um helicóptero avaliado em R$ 4,5 milhões feita em nome da igreja. A aeronave não foi paga, e a dívida resultante está sendo discutida judicialmente. A transação, considerada irregular pela liderança da Lagoinha, intensificou o desgaste entre Fernandes e Valadão, que decidiu afastá-lo definitivamente.

A disputa agora se desenrola em duas frentes: no campo religioso, com a tentativa da Lagoinha de reorganizar sua estrutura após a ruptura, e na esfera judicial, com processos que buscam esclarecer responsabilidades e eventuais danos financeiros. Enquanto isso, fiéis acompanham perplexos o embate que expõe uma das maiores crises da história recente da denominação.

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