DÍVIDA

Voepass entra com pedido de recuperação judicial após suspensão

Companhia afirmou que sua dívida ultrapassa os R$ 400 milhões; este é o segundo pedido de recuperação judicial protocolado pela empresa

Avião da empresa VOEPASS decolando no aeroporto de Guarulhos - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Paulo Pinto

William Oliveira Publicado em 23/04/2025, às 09h12

A Voepass Linhas Aéreas entrou com um novo pedido de recuperação judicial na noite de terça-feira (22), em meio a uma das fases mais críticas de sua história. A medida ocorre cerca de um mês após a suspensão de suas operações pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que apontou falhas e preocupações relacionadas à segurança operacional da empresa.

Este é o segundo pedido de recuperação protocolado pela companhia nos últimos anos. O documento, registrado em Ribeirão Preto (SP), revela um passivo superior a R$ 400 milhões. A maior parte dos credores é composta por trabalhadores e pequenos e médios fornecedores.

Em nota oficial, a Voepass informou que a decisão faz parte de um plano de reorganização financeira e reestruturação do capital, dando continuidade ao processo de recuperação anterior. Segundo a companhia: “Esta foi a única saída para realizar uma reestruturação completa e garantir que a Voepass volte a oferecer um serviço essencial para o desenvolvimento do Brasil.”

A saúde financeira da empresa começou a se agravar em agosto de 2024, após um trágico acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP). Como reflexo do desastre, a Latam optou por suspender o uso de quatro das dez aeronaves operadas em codeshare com a Voepass, afetando diretamente a demanda e a receita da companhia.

A crise se intensificou com a suspensão das atividades pela ANAC, prejudicando milhares de passageiros e agravando ainda mais a situação financeira da empresa, que já estava fragilizada desde fevereiro, quando foi apresentado um pedido de tutela preparatória à Justiça.

Funcionários da companhia foram duramente impactados, com demissões em áreas-chave como tripulação, operações aeroportuárias e setores administrativos. Segundo a empresa, a medida foi necessária para “adequar o quadro de funcionários à nova realidade da companhia, impactada pela paralisação das operações”.

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