Ampliação da lista de exceções livrou pescados, mel e café solúvel da cobrança, mas madeira, arroz, uva, ovos e açúcar seguem taxados; medida entra em vigor na próxima quarta-feira (22)
Letícia Sales Publicado em 17/07/2026, às 13h17
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os Estados Unidos serão afetadas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo americano, que passa a valer na próxima quarta-feira (22). A medida é resultado de uma investigação comercial conduzida pelos EUA sobre produtos brasileiros e prevê uma lista de exceções para determinados itens.
Em vídeo divulgado pela entidade, a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, comentou o desfecho do processo. "A CNA recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo dos EUA", afirmou.
Apesar da preocupação, Mori destacou que a expansão da lista de produtos isentos fez com que 63,5% do valor exportado pelo agronegócio brasileiro aos Estados Unidos ficasse fora da cobrança adicional. Entre os itens que passaram a ser poupados da tarifa estão pescados, mel e café solúvel.
Segundo a diretora, esse avanço é resultado direto da mobilização do setor privado brasileiro junto ao governo americano. "Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro", disse.
Ainda assim, uma série de produtos segue sujeita à tarifação adicional, entre eles madeira, arroz, uva, ovos e açúcar. De acordo com levantamento da CNA, esses itens somaram cerca de US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.
A entidade também chamou atenção para a justificativa apresentada pelas autoridades americanas para isentar alguns produtos: segundo o governo dos EUA, esses itens têm papel relevante na indústria local, enfrentam oferta insuficiente no mercado interno americano e a taxação poderia prejudicar setores considerados estratégicos da economia do país.
Mori afirmou que a confederação participou ativamente de todas as etapas do processo, apresentando estudos técnicos e tomando parte em consultas públicas e audiências realizadas em Washington. Segundo ela, o objetivo foi demonstrar que a competitividade do agronegócio brasileiro "não decorre de práticas desleais de comércio, mas sim de ganhos de produtividade, inovação e investimentos realizados ao longo de décadas".
Durante as negociações, a CNA defendeu que os produtos agropecuários brasileiros fossem completamente excluídos da medida, argumentando que Brasil e Estados Unidos mantêm cadeias produtivas complementares e uma relação comercial estratégica para os dois países.
Sobre os próximos passos, Mori afirmou que a CNA continuará monitorando os desdobramentos da tarifa e buscando formas de reduzir os impactos sobre o setor. "A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA", concluiu.